O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que a relação de Washington com Pequim está em um lugar "muito confortável", mas pediu para que a rivalidade entre as duas principais potências econômicas do mundo "seja justa", ao participar de uma conferência promovida pelo BTG Pactual nesta terça-feira, 10.
"Os EUA não querem se 'desacoplar' da China, mas sempre seremos concorrentes", ponderou.
Ainda sobre política externa, ele disse que a intervenção dos EUA na Venezuela, que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro, mostrou o poder do exército americano. Bessent defendeu que, atualmente, existe uma grande coordenação e parceria com autoridades venezuelanas.
"Vemos uma parceria muito boa com a Venezuela que, eventualmente, levará a eleições livres e justas", acrescentou, ao mencionar ser "um grande momento" para as relações entre os EUA e a América Latina.
Bessent destacou que, após um início "turbulento", os presidentes dos EUA, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conseguiram conversar sobre um acordo comercial. No ano passado, o Brasil foi um dos países que receberam a maior tarifa de importação pela administração americana.
Fed e juros
O secretário afirmou que Kevin Warsh, indicado por Trump para assumir a presidência do Federal Reserve (Fed) quando Jerome Powell deixar a posição, foi escolhido por ter "mente aberta" em relação a diversos temas, incluindo taxa de juros, tecnologia, produtividade e inteligência artificial (IA).
Ele reforçou que não foi solicitado a Warsh cortar os juros quando assumir a chefia do BC americano e defendeu que, sob a liderança do indicado, o Fed estará atento para garantir que não haja "desalinhamento de prazos".
Bessent pontuou que a política de dólar forte significa o desejo de manter os fundamentos para manter a moeda americana forte e sinalizou o desejo de fazer dos EUA "o lugar mais atrativo para investimentos". Ele também disse que, sempre que há aumentos de produtividade, há um aumento no emprego.