São Paulo Innovation Week abre as portas para debater IA, ciência e outros temas do futuro

O evento de inovação, ciência, inteligência artificial, agronegócio, cultura, varejo e luxo contará com mais de 1,5 mil palestrantes e centenas de executivos de alto escalão de grandes empresas

12 mai 2026 - 20h39
(atualizado às 21h26)

A abertura oficial do São Paulo Innovation Week, na noite desta terça-feira, 12, marcou o início da sua jornada na capital paulista após quatro anos do Rio Innovation Week, na capital fluminense. O evento vai reunir na capital paulista mais de 1,5 mil palestrantes em 33 palcos simultâneos, entre conteúdos sobre diversos temas, indo da inteligência artificial e da ciência ao agronegócio, do varejo à cultura. A cerimônia serviu como um prelúdio intelectual para os três dias intensos de programação entre a FAAP e o Mercado Livre Arena Pacaembu.

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Uma parceria entre o Estadão e a Base Eventos, a chegada do Innovation Week a São Paulo reflete a ambição de consolidar a cidade como o principal hub de inovação da América Latina, onde o conhecimento acadêmico encontra as aplicações práticas do mercado.

Abertura do São Paulo Innovation Week ocorreu no teatro da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), na noite desta terça-feira, 12
Abertura do São Paulo Innovation Week ocorreu no teatro da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), na noite desta terça-feira, 12
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

Erick Bretas, CEO do Estadão, lembra que a diversidade do festival é algo que o torna único na cidade e permite a interação de pessoas de áreas como fintechs, saúde, energia, luxo, gastronomia, indústria pesada e economia criativa.

"Em matéria de inovação, havia até aqui uma certa injustiça geográfica. A via era de mão única. Os paulistanos saíam para pensar o futuro em outro lugar. De Congonhas, embarcávamos para o Rio. De Guarulhos, para Houston, Las Vegas, Londres, Lisboa, nas grandes feiras de tecnologia e nos festivais de cultura digital. Chegou a hora de São Paulo deixar de ser apenas de onde se parte para pensar a inovação, e passar a ser também para onde se vem. Não um aeroporto de saída. Um destino", afirma Bretas.

O presidente do conselho de administração do Estadão, Francisco Mesquita Neto, explica que "o SPIW é uma aceleração de um projeto que vem se criando dentro do Estadão já há bastante tempo, que é a transformação de uma empresa jornalística".

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"O Estadão continuará sendo uma empresa jornalística de muita qualidade e em busca do jornalismo independente, mas que se transforma para esse mundo novo, onde a tecnologia faz parte de praticamente tudo que se faz", afirma Mesquita Neto. "São Paulo é uma cidade onde a inovação vem desde a agricultura, depois na indústria e no mercado financeiro. São Paulo sempre foi a cidade que inovou no seu desenvolvimento. Por isso, é super relevante discutir a inovação e descobrir formas de acelerar esse processo, não só na cidade, mas no Estado de São Paulo. Isso aqui é um começo, a ambição é bastante grande."

O festival é um espaço para conteúdo de qualidade, experiências imersivas e muitas possibilidades de networking. O SPIW conta com especialistas, brasileiros e estrangeiros, trazendo reflexões em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia.

Propósito de ir além do algoritmo

Segundo Bruna Reis, diretora executiva do São Paulo Innovation Week, foram emitidos mais de 40 mil passaportes para os três dias de evento, que ocupa uma área de 50 mil m² entre o Pacaembu e a Faap. Na sua primeira edição, o festival terá 15 trilhas de conteúdo e receberá mais de 100 expositores e mil startups.

"O SPIW nasceu com o propósito de ir além do algoritmo. A IA está aí: avança, redesenha as profissões e as indústrias. Essa transformação é real, urgente e merece nosso debate. Mas nada disso substitui o olho no olho, a confiança que se constrói numa reunião ou o aperto de mão de dois executivos. Nada substitui o feeling humano. Os valores reais são 100% humanos. Por isso, a próxima revolução do mundo não será só tecnológica, mas humana", afirma Bruna.

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Fabio Queiroz, cofundador da plataforma Innovation Week, destacou a importância de festivais de inovação como pontos de encontro de grandes mentes, que, ao se unir, criam tecnologias e fazem negócios. "O ecossistema de tecnologia e inovação talvez fale menos do que deveria. Era importante colocar todos no mesmo lugar — acadêmicos, cientistas, estudantes, empreendedores — e fazê-los falar mais, interagir, criar e, sobretudo, se transformar. Mesmo com a IA, o humano sempre estará no controle pelo caminho da ética", diz Queiroz.

Celita Procopio de Carvalho, presidente do Conselho de Curadores da FAAP, descreveu o SPIW como um encontro internacional e singular que reúne as mentes mais geniais, criativas e transformadoras da atualidade. "Nos próximos três dias, São Paulo será palco de um encontro internacional e singular, com mais de 1,5 mil palestrantes, múltiplos olhares em diferentes áreas do conhecimento. Este não será apenas um evento de ideias, mas um espaço vivo de conexões, onde pensamento e ação se encontram e a inovação se converte em realidade", afirma Celita.

A cerimônia de abertura do SPIW 2026 também contou com a participação Rodrigo Goulart (PSD), secretário de desenvolvimento econômico e trabalho da prefeitura de São Paulo, Marcos da Costa, secretário de Estado dos Direitos da Pessoa com deficiência de SP, e Paulo Skaf, presidente da Fiesp/Ciesp.

"O SPIW é um momento histórico onde as pessoas se unem para trabalhar aquilo que é próprio do DNA de São Paulo, inovação, tecnologia, pesquisa, ciência e empreendedorismo", diz Costa.

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Goulart conta que, por decisão do prefeito, o evento não ficou restrito aos 50 mil m² dos espaços principais (FAAP e Mercado Livre Arena Pacaembu). Por isso, foram criadas ativações em quatro CEUs (Heliópolis, Sapopemba, Cidade Ademar e Freguesia do Ó) para levar o conhecimento de grandes cientistas a pessoas que não teriam oportunidade de estar nos locais centrais.

"Só na gestão do prefeito Ricardo Nunes, de 2021 até o primeiro trimestre de 2026, mais de 900 mil novas empresas foram abertas na nossa cidade. 95 mil delas vieram de outras cidades ou estados e se implementaram aqui na nossa cidade. Tudo isso aconteceu por causa do bom entendimento, integração do poder público com a iniciativa privada",afirma Goulart.

Na cerimônia de abertura do SPIW, João Vitor Nunes, aluno do Sesi e do Senai-SP, subiu ao palco na abertura, a convite de Skaf. Campeão mundial de robótica com mais de 17 prêmios, o jovem — filho de um metalúrgico e de uma fisioterapeuta — foi escolhido para simbolizar como a educação transforma trajetórias.

Trazendo reflexões sobre cultura, ética e comportamento, O SPIW contará com a participação de nomes como Ailton Krenak, Alê Youssef, Fabrício Carpinejar, Marcelo Tas, Martha Medeiros, Monja Coen e Rita von Hunty.

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Entre os destaques internacionais do SPIW estão nomes como Daniel Goleman, Dmitry Muratov, Douglas Rushkoff, Luc Ferry, Steven Pinker e Gilles Lipovetsky. A agenda internacional do festival também inclui especialistas como Ian Beacraft, Neil Redding e Amy Gallo. No campo científico, participam nomes como Adam Frank, Didier Queloz, Marcelo Gleiser e Ivair Gontijo, além de pesquisadores como Suzana Herculano.

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