Quatro maiores bancos lucraram R$ 107,8 bi no ano passado

Valor caiu 4,4% em relação ao 2024, puxado pelo Banco do Brasil que sofreu com retração do agro; bancos privados cresceram, com Itaú como destaque

12 fev 2026 - 11h32

Os quatro maiores bancos listados na B3 registraram lucro líquido combinado de R$ 107,8 bilhões. O valor é 4,4% menor do que a soma dos ganhos de 2024 e foi puxado pelo Banco do Brasil (BB), ainda sob pressão da escalada da inadimplência no agronegócio.

No quarto trimestre do ano passado, esses mesmos bancos (Itaú Unibanco, Bradesco, BB e Santander Brasil) lucraram juntos R$ 28,7 bilhões, queda de 3,6% ante igual período de 2024. O resultado veio 6,7% acima da estimativa de analistas consultados pelo Prévias Broadcast, de R$ 26,9 bilhões.

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Principal responsável pela retração, o BB registrou tombo de 45% no lucro líquido ajustado em 2025, a R$ 20,7 bilhões, embora tenha surpreendido analistas no quarto trimestre. Os calotes no agronegócio não deram trégua e a instituição precisou ampliar as provisões para perdas. Assim, o retorno sobre patrimônio (RoE) teve contração de quase 10 pontos porcentuais no ano, a 11,4%.

Sede do Banco do Brasil, em Brasília: resultados penalizados pela crise do agronegócio
Sede do Banco do Brasil, em Brasília: resultados penalizados pela crise do agronegócio
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Estadão

Na outra ponta, os três maiores bancos privados (Itaú, Bradesco e Santander Brasil) expandiram o lucro a R$ 87,1 bilhões em 2025, com uma composição de carteira que priorizou linhas com garantia e maior rentabilidade.

Ao se aproximar da metade do plano de transformação de cinco anos, o Bradesco apertou o passo em direção ao objetivo de recuperar níveis consistentes de rentabilidade. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROAE), de 15,2%, finalmente cruzou a linha do custo de capital, mas ainda tem um longo caminho a percorrer para chegar ao almejado nível de 20%.

As despesas com provisões contra devedores duvidosos avançaram a R$ 8,8 bilhões, mas a inadimplência ficou estabilizada em 4,1%, pelo critério de atrasos superiores a 90 dias.

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Apesar da contínua melhora nas principais métricas financeiras, o mercado reagiu ao balanço com uma liquidação dos papéis do Bradesco. O guidance (projeções) apresentado pelo banco foi considerado conservador até pelos padrões de retomada gradual, "step by step" (passo a passo), defendida como um mantra pelo presidente do banco, Marcelo Noronha.

Analistas de sell-side (que buscam vender um investimento ou produto financeiro), no geral, avaliaram o resultado do Bradesco como uma validação do processo de recuperação "Step by step" da rentabilidade.

Os analistas do Citi se disseram "decepcionados" com o ritmo de crescimento sugerido pelas projeções. Para a carteira de crédito, por exemplo, a expectativa é de alta entre 8,5% e 10,5%, uma desaceleração após o avanço de 10,5% em 2025.

As previsões são semelhantes à faixa projetada pelo Itaú Unibanco para a elevação de sua carteira, entre 6,5% e 10,5%, considerando as operações brasileiras.

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Itaú será mais comedido ao conceder crédito

No que já se tornou recorrente ao longo dos últimos trimestre, o maior banco privado do País foi, mais uma vez, o grande destaque da temporada de balanços. O lucro líquido alcançou nível recorde de R$ 46,8 bilhões em 2025, um incremento anual de 13,1%, enquanto a inadimplência acima de 90 dias seguiu estabilizada abaixo de 2%.

Ao se preparar para um ano de eleições e de Selic ainda em dois dígitos, o Itaú sinalizou apetite mais comedido para a concessão de crédito, mas não descartou a possibilidade de ajustar o guidance, caso novas informações indiquem um cenário mais benigno. "Naturalmente, ao longo do ano, com mais informações de mercado, capacidade de entregar nas várias linhas, a gente vai atualizando e ajustando se for necessário", afirmou o CEO do banco, Milton Maluhy. "Mas essa é a melhor informação disponível nesse momento".

Também cauteloso, o Santander Brasil não divulga guidance, mas indicou estar atento aos efeitos da Selic a 15% sobre o bolso das famílias e as finanças das empresas. A subsidiária brasileira do grupo espanhol registrou aumento na inadimplência de meio ponto porcentual em 12 meses, para 3,7% em dezembro.

O movimento assustou o mercado, apesar do lucro de R$ 15,6 bilhões em 2025. "O resultado foi beneficiado por uma alíquota efetiva de imposto excepcionalmente baixa e por menores provisões, enquanto as receitas ficaram aquém do esperado e a inadimplência continuou em trajetória de alta", afirmou a equipe de analistas da Genial Investimentos, liderada por Eduardo Nishio.

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Para tentar evitar piora mais acentuada à frente, o Santander Brasil aposta na estratégia de buscar linhas com boa rentabilidade, como pequenas e médias empresas e consumidores de alta renda, em detrimento da pessoa física de baixa renda. Mas o UBS BB diz que o mais importante para assegurar a lucratividade é uma melhora nas métricas de eficiência.

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