A Páscoa está chegando e os tradicionais ovos estão mais caros neste ano nas prateleiras dos supermercados de todo Brasil. O aumento, percebido por muitos desde início de março, está diretamente ligado ainda com a alta histórica do cacau no mercado internacional, principal ingrediente na produção do chocolate.
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Entre o final de 2024 e meados de 2025, o cacau disparou. Chegou a ultrapassar os US$ 10 mil e os preços permaneceram elevados por um longo período, acima de US$ 6.700 por tonelada até setembro do ano passado. Embora atualmente esteja sendo negociado em torno de U$ 3 mil, o efeito sobre chocolate nesta Páscoa ainda é limitado.
Dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE, reforçam isso ao mostrar que o preço do chocolate subiu 26,36% nos últimos 12 meses. O aumento supera a inflação geral do período e coloca o chocolate entre os itens que mais pressionaram o bolso do consumidor.
De acordo com o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), Jaime Recena, o chocolate está caro no Brasil e no mundo inteiro por alguns motivos, entre eles, a crise climática que atingiu os dois maiores produtores de cacau do mundo, Gana e Costa do Marfim.
“O fenômeno El Niño [causando seca e altas temperaturas na África Ocidental] devastou as plantações de cacau em 2024. Gana e Costa do Marfim, responsáveis por 60% da produção mundial foram atingidas. O mercado ficou com um déficit de 700 mil toneladas”, lembra Jaime Recena.
Embora a seca tenha influenciado na produção da matéria-prima do chocolate na África, não é só o cacau que pesa na formação dos preços, segundo Jaime Recena. “Outros insumos como leite, açúcar, frete (uso de caminhões frigoríficos, já que se trata de carga perecível) e variação do dólar devem ser levados em conta”, afirma.
Páscoas 2026
Mesmo diante da alta dos preços, Recena afirma que o setor está otimista, e projeta uma Páscoa com ótimos resultados para toda a cadeia produtiva. Para o comércio, a data está entre as datas mais importantes do ano e o planejamento para as vendas começa com meses de antecedência.
“Teremos aumento de produção e de vendas neste ano. Mais de 700 itens serão colocados nesta Páscoa. Desse total, mais de 120 serão lançamentos. Estamos prevendo também um maior número de contratações temporárias. No ano passado foram 10 mil, neste ano passarão de 13 mil.”, projeta Jaime Recena.
Para quem vai presentear um amigo ou familiar com o ovo da Páscoa, nas lojas, os valores mudam conforme o tamanho e a marca, variando de R$ 40 a R$ 120 e podendo passar dos R$ 300 entre os produtos mais luxuosos do mercado.
“A preferência nacional é o chocolate ao leite. Mas há a opção de chocolate mais intenso ou produtos com adição de castanha, pistache, amendoim, além de frutas”, afirma Recena.
Levantamento da Secretaria de Defesa do Consumidor e do Procon-RJ encontrou também variação de até 160% nos preços de produtos de Páscoa no estado do Rio de Janeiro. Realizada entre os dias 26 de fevereiro e 16 de março, a pesquisa analisou 70 itens, incluindo ovos de Páscoa, barras de chocolate e caixas de bombons.
A variação média geral de preços foi de 63,37%, indicando que o consumidor pode pagar significativamente mais caro dependendo do local de compra. Entre os itens analisados, a maior variação foi registrada na barra de chocolate com biscoito Choco Trio (90g), da marca Nestlé, com preços entre R$4,99 e R$12,99.
Outros produtos amplamente consumidos na data comemorativa, como ovos de Páscoa e chocolates em barra, também apresentaram diferenças relevantes, com variações superiores a 100%.