Financiamento e crédito: o impacto da queda da taxa de juros na sua vida

Redução ou alta dos juros tem impactos diretos no dia a dia das pessoas e na economia como um todo

18 mar 2026 - 18h35
(atualizado às 19h15)
Por influenciar todas as taxas de juros do País, a Selic pode ter um peso no bolso do consumidor quando se trata de empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras
Por influenciar todas as taxas de juros do País, a Selic pode ter um peso no bolso do consumidor quando se trata de empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras
Foto: Divulgação/Gov Br

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu nesta quarta-feira, 18, reduzir a taxa Selic de 15% para 14,75% ao ano. Quem não é do mercado financeiro pode até não dar importância para essa redução e pensar que a Selic é apenas uma taxa qualquer, mas na verdade é muito mais do que isso: a Selic define o custo do dinheiro e influencia quanto você paga ou recebe ao financiar compras, investir ou até poupar.

A Selic serve de referência para a maior parte das operações financeiras. Os bancos, por exemplo, precisam negociar títulos diariamente para manter seus negócios, e os empréstimos e financiamentos concedidos aos clientes normalmente vêm com juros acima da Selic. Ou seja, mudanças na taxa de juros repercutem rapidamente no bolso de quem compra, investe ou financia qualquer coisa.

Publicidade

Como os juros afetam o seu bolso?

Em um ambiente de queda da Selic, como o de agora, o crédito tende a ficar um pouco mais barato, o que estimula financiamentos. Juros mais baixos tornam também as parcelas de compras a prazo mais acessíveis, incentivando o consumo das famílias. 

Juros mais baixos também reduzem o custo de empréstimos para empresas, estimulando investimentos e expansão dos negócios. Esse crescimento pode gerar mais empregos e aumentar a renda das famílias, fortalecendo o consumo.

Por outro lado, uma alta dos juros, tem efeito contrário: financiamentos ficam mais caros, aumentam o custo das compras a prazo, desestimulam os investimentos empresariais e podem reduzir empregos. 

Parcelamentos e compras financiadas também passam a ter taxas mais altas, o que leva muitas pessoas a adiar ou reduzir gastos. Essa redução da demanda contribui para o esfriamento da economia e pode refletir em menor crescimento do PIB.

Publicidade

Quem ganha com os juros altos

Apesar dos impactos negativos sobre consumo e investimento, os juros elevados, como ainda estão atualmente, beneficiam investidores de renda fixa. Títulos pós-fixados, como Tesouro Selic, CDBs, Fundos DI e LCIs/LCAs, passam a oferecer retornos maiores, atraindo quem busca segurança e previsibilidade.

Setores como bancos e seguradoras também podem se beneficiar, aproveitando o diferencial entre juros cobrados e pagos.

No mercado cambial, a Selic elevada tende a fortalecer o real ao atrair capital estrangeiro, embora o efeito dependa de fatores externos, como a taxa de juros nos EUA e a situação fiscal do país.

O que é a taxa Selic e como ela funciona?

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. A sigla Selic vem de Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, no qual o Banco Central opera diariamente na emissão, compra e venda de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional.

A taxa Selic é o principal instrumento do BC para controlar a inflação. Na prática, funciona assim: quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial de inflação do Brasil, está em um nível muito alto, o BC sobe os juros para que a inflação fique dentro dos limites de um alvo predefinido. 

Publicidade

Com a subida dos juros, o crédito fica mais caro e desincentiva o consumo. Com menos pessoas consumindo, a tendência é os preços se acomodarem. No cenário oposto, se a inflação estiver em níveis baixos, o BC reduz os juros para estimular o consumo e, consequentemente, a economia.

Como a taxa Selic é definida?

A taxa Selic é determinada a cada 45 dias em encontros a portas fechadas do Comitê de Política Monetária, a reunião do Copom, do Banco Central, desde 1996.  Fazem parte do Copom o presidente e os oito diretores do BC.

A definição da taxa leva em conta principalmente a inflação, mas também fatores como taxa de câmbio, importações e exportações, e a atividade e a perspectiva de crescimento econômico do País. 

Os membros do colegiado utilizam modelos matemáticos específicos para estabelecer os rumos da taxa.

Fonte: Portal Terra
TAGS
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se