Lula: 'Melhor resposta que podemos dar aos EUA é que China reconheceu Brasil livre da febre aftosa'

Presidente afirmou que a orientação é achar novos parceiros comerciais para o Brasil caso os Estados Unidos criem novas barreiras comerciais

3 jun 2026 - 12h56
(atualizado às 13h39)

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira, 3, durante reunião ministerial, que a liberação do Brasil de febre aftosa, por parte da China, é a melhor resposta possível aos Estados Unidos após o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) recomendar a taxação de 25% sobre os produtos brasileiros.

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"A melhor resposta que a gente pode dar aos Estados Unidos é que, no dia em que eles anunciaram a taxação de 25%, a China anunciou o reconhecimento do Brasil, nos seus 8,5 milhões de quilômetros quadrados, fora de febre aftosa. Então, a carne brasileira foi totalmente liberada pelos chineses", afirmou Lula.

A decisão chinesa, que ocorreu um dia após o anúncio da decisão do USTR, elimina restrições à compra de carnes em regiões do Brasil. O reconhecimento foi feito após duas décadas de negociação bilateral.

O presidente Lula, durante reunião ministerial nesta quarta-feira, 3
O presidente Lula, durante reunião ministerial nesta quarta-feira, 3
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Lula convocou reunião ministerial nesta quarta para definir como será a estratégia de propaganda do governo federal nos últimos meses de mandato. A ideia do presidente é alinhar a divulgação dos principais programas com potencial eleitoral para a campanha à reeleição, como o Desenrola 2.0 e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

O presidente disse que a reunião serve como uma "arrumação de discurso" e que nenhum dos ministros deve abaixar a cabeça depois das ações vindas dos Estados Unidos. Lula disse também que não iria para a reunião do G7, que vai ocorrer entre os dias 15 e 17 deste mês na França, mas que vai comparecer ao encontro de lideranças globais porque alguém precisa "tentar colocar ordem na casa".

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Outros parceiros

Lula afirmou que vai enviar uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como resposta à recomendação do USTR de taxar em 25% os produtos brasileiros. Ele afirmou que pretende escrever mais artigos na imprensa americana e mundial para contestar a postura da Casa Branca.

"Eu ainda vou mandar outra carta ao presidente Trump, vou escrever quantos artigos forem necessários, escrever na imprensa americana e na imprensa mundial, para mostrar que eles estão errados, equivocados, e que estão induzindo o mundo a uma violência desnecessária", afirmou.

Lula também afirmou que, caso os Estados Unidos criem novas barreiras comerciais contra o Brasil, a orientação é achar novos parceiros comerciais.

"Se os Estados Unidos querem problema, eles têm o direito de não querer; agora, nós não vamos ficar chorando, vamos procurar outros parceiros. Se eles não querem comprar, nós vamos vender para quem quiser comprar, a gente não vai ficar reclamando", disse o presidente.

O presidente também mandou recados sobre minerais críticos brasileiros, que são de interesse dos Estados Unidos, afirmando que é preciso se comunicar com o governo brasileiro antes de iniciar explorações.

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