Há 20 anos, o então jovem estudante de Ciência da Computação Cristian Figueiredo decidiu ouvir sua intuição e abandonar sua carreira numa área que já era vista como promissora. Hoje, aos 41 anos de idade, ele não se arrepende por nenhum minuto de sua escolha e é o nome por trás de uma rede de cafeterias que tem previsão de faturar R$ 42 milhões este ano.
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A decisão de empreender não foi de todo arriscada: Cristian tinha como parceiro o próprio pai, que viu numa loja de café em um shopping uma oportunidade de empreender em um “negócio mais tranquilo, onde o cliente fosse até o ponto de venda”, ele conta.
“Meu pai ficava ali no shopping e tomava café num outro café que tinha lá. Até que, em determinado momento, ele ficou sabendo que esse café ia fechar. E ele conheceu o pessoal do shopping, que chamou ele. Disseram: ‘Olha, a gente tem o interesse de abrir um café ali naquele ponto ali embaixo’. Aí, perguntou se ele tinha interesse e surgiu essa oportunidade para ele, por ele ir com muita frequência àquele local e acabou conhecendo as pessoas”, detalha Cristian.
O pai decidiu investir R$ 200 mil na cafeteria, que inicialmente se chamou Café Cidade, em referência ao Shopping Cidade, em Belo Horizonte (MG), onde foi primeiro instalada.
Mas o que era para ser apenas uma cafeteria de shopping logo ganhou o gosto do público e foi preciso expandir. Com a segunda unidade, a cafeteria precisou de um novo nome, nascendo, então, a Mr. Black Café Gourmet.
“A gente não tinha experiência nenhuma na área de alimentação, a gente buscou uma consultoria nessa área, que nos ajudou a desenvolver o negócio ali no início, a saber como mexer com a área de alimento. E o negócio foi tendo muito sucesso. Essa primeira loja, desde o primeiro dia, sempre estava muito cheia”, relembra.
Cristian detalha que, em todas as etapas do negócio, ele e o pai buscaram ajuda especializada. Para abrir a segunda loja e pensar em um nome que abrangesse mais público, por exemplo, os dois contaram com a ajuda de uma agência de publicidade que já atendia a empresa.
Depois, quando passaram para o mercado de franquias, o processo de transição também foi feito com muito estudo.
De negócio de família a rede de 50 lojas
Inicialmente, Cristian e o pai não vislumbravam que a Mr. Black Café poderia atuar no modelo de franquia. A ideia surgiu da dúvida de clientes, que costumavam perguntar se a loja se tratava de uma franquia vinda de fora de Minas Gerais.
“Estava tão bem profissionalizado, que começaram a perguntar se aquilo era uma franquia, se aquilo era alguma coisa mais desenvolvida”, relembra.
Daí veio o estalo na família. “A gente não conhecia de franquia, não conhecia o sistema, não conhecia as regras. A gente decidiu conhecer mais, nós contratamos uma outra consultoria nessa área de franchising, onde ela formatou o nosso negócio para franquia”, conta.
A consultoria durou cerca de seis meses, com encontros semanais para entender e desenhar o projeto. Oito anos depois da inauguração da primeira loja e já com três unidades em funcionamento, em 2014, nasce a primeira loja franqueada da Mr. Black Café Gourmet.
De lá para cá, a expansão foi vertiginosa. Atualmente, há 40 lojas abertas, em oito Estados do Brasil, e dez já vendidas para serem inauguradas até o final do ano. Segundo Cristian explica, ele e o pai se mantêm como donos de cerca de 20% da operação.
O segredo do sucesso do negócio, para Cristian, reside no fato deles apostarem no modelo tradicional de cafeterias. “As pessoas gostam de sair de casa para ir para lá para fazer um lanche, para conversar. Elas não compram da gente comida. Elas compram o prazer de estar naquele ambiente”, afirma.
Atualmente, a estratégia de expansão prioriza cidades com mais de 200 mil habitantes e pelo menos um shopping center, tendo atualmente foco no eixo Rio-São Paulo, favorecendo a eficiência logística.
A marca oferece três modelos de negócio: quiosques em shopping, lojas de rua ou espaços corporativos, e lojas para shoppings ou aeroportos. O investimento inicial varia de R$ 250 mil a R$ 450 mil, com faturamento médio mensal de R$ 75 mil, margem líquida em torno de 20% e retorno estimado entre 24 a 36 meses.