O Nubank anunciou, nesta segunda-feira, 1º, que Rob Livingston assumirá o cargo de diretor financeiro (CFO) da fintech em 13 de julho. O executivo substituirá Guilherme Lago, que ocupava a posição desde 2021 e atua na companhia há sete anos.
Lago apoiará o processo de transição até 31 de agosto e, na sequência, migrará para a função de conselheiro especial da diretoria executiva da Nu Holdings e do Comitê de Auditoria e Riscos.
Com mais de 30 anos de experiência no setor, Livingston atuava como CFO para América do Norte da Visa, depois de já ter liderado as áreas de Finanças Corporativas e Relações com Investidores da companhia americana, além de ter sido CFO da Visa Europe e membro do conselho da Visa Limited. Antes, trabalhou por 18 anos na Capital One, com foco em crédito, marketing e finanças.
Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o fundador e CEO do Nubank, David Vélez, explicou que as mudanças acontecem após uma decisão voluntária de Lago. "Nós já vínhamos conversando há algum tempo em um processo bastante ordenado de sucessão", disse.
Lago se disse orgulhoso por ter ajudado a transformar uma empresa brasileira em um "gigante" de tecnologia global. "Saímos de menos de 20 milhões de clientes para 135 milhões, de um modelo quase 'monoproduto' e 'mono país' para um modelo 'multiprodutos' e 'multipaís'", disse. "Eu tenho uma quantidade de ações do Nubank que representam uma parcela superimportante do meu patrimônio e eu estou animado com o futuro da companhia, como acionista, como conselheiro especial e como ex-CFO", acrescentou.
'Estratégia se mantém'
Segundo Vélez, o processo não culminará em mudanças na estratégia que a fintech vem executando. Embora tenha se firmado como a maior instituição financeira privada do Brasil em número de clientes, com 110 milhões de usuários, o Nubank ainda tem apenas 7% do lucro bruto brasileiro. "Continuamos muito focados na oportunidade que temos no Brasil, onde podemos crescer significativamente", ressaltou.
Vélez lembrou ainda que o Nubank tem cerca de 8% a 9% do mercado de crédito em pessoa física e menos de 15% do segmento de cartão de crédito. "Então, ainda somos uma formiguinha no mercado gigantesco que continua crescendo", ressaltou, acrescentando que o fato de não ter agências físicas e ser um banco digital gera ganhos competitivos. "Há alguma volatilidade hoje no mercado, mas acho que estamos executando uma estratégia de muito longo prazo e temos vantagens competitivas importantes", destacou.
A fintech tem acelerado o processo de expansão internacional, em meio ao crescimento das operações no México e na Colômbia. O banco digital também aguarda as autorizações de reguladores americanos para obter a licença bancária nos EUA. Em janeiro, recebeu uma aprovação condicional do Office of the Comptroller of The Currency (OCC). "A gente sempre achou que esse modelo que executamos representa uma oportunidade não só no Brasil ou na região, mas uma oportunidade global", declarou Vélez.
CFO no Brasil
Em paralelo, o Nubank anunciou ainda a criação do cargo de CFO para o Brasil, em um modelo de estrutura de liderança semelhante ao já estabelecido no México e na Colômbia. A nomeação ao novo posto será anunciada posteriormente, de acordo com a fintech.