Após conversa entre Lula e Donald Trump, negociadores de Brasil e EUA se reunirão virtualmente nesta segunda-feira para debater as sobretaxas de até 37,5% impostas às exportações brasileiras. O encontro retoma o diálogo em meio a uma crise diplomática. Apesar do ceticismo quanto a um recuo imediato de Washington e de ter acionado a OMC, o Palácio do Planalto tenta amenizar tensões bilaterais e sinalizou que não aplicará medidas de retaliação comercial de forma emergencial.
BRASÍLIA - Os negociadores de Brasil e Estados Unidos voltarão a se reunir na próxima segunda-feira, dia 31, por demanda dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
O encontro virtual deve ocorrer às 14h30, conforme o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O ministro Márcio Elias Rosa vai conduzir o diálogo tarifário com o embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos EUA (USTR).
A reunião representa uma retomada nas negociações políticas, depois de o USTR concluir processos que culminaram na imposição, em julho, de novas sobretaxas de até 37,5% que atingem as exportações brasileiras aos EUA.
Na conversa entre Lula e Trump, ocorrida a pedido do petista na manhã de sexta-feira, 21, o brasileiro pediu a retomada do diálogo, e o americano consentiu e afirmou que escalaria seus principais conselheiros para a tarefa.
Em seguida, segundo Elias Rosa, o embaixador Greer telefonou para que agendassem uma nova reunião de negociação.
Apesar do aceno, integrantes do governo Lula entendem que o governo Trump não deve ceder e voltar atrás do novo tarifaço em curto prazo. Os dois países vivem uma crise diplomática, e o Palácio do Planalto entende que o pano de fundo é uma tentativa de ingerência eleitoral no País.
A estratégia de buscar o contato com Trump e tentar sensibilizá-lo sobre as tarifas e outras medidas adotadas contra o Brasil no campo político-diplomático, como a designação de facções voltadas narcotráfico como terroristas e o cancelamento de vistos, visa contornar uma ala do governo americano mais hostil ao petista, liderada pelo secretário de Estado, Marco Rubio.
Em paralelo, o Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a imposição das tarifas e também deu início ao processo de aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, medida que contraria a maior parte do setor privado.
O governo Lula indicou, no entanto, que não vai tomar medidas de retaliação, tampouco aplicar emergencialmente contramedidas previstas na legislação da reciprocidade.