Os ministros das Finanças do G7 reconheceram a crescente preocupação com a dívida pública e a volatilidade do mercado de títulos ao se reunirem em Paris nesta segunda-feira, na esteira de uma liquidação no mercado de títulos desencadeada por temores sobre os riscos de inflação decorrentes da guerra no Irã.
Os ministros devem discutir as consequências econômicas do conflito e a volatilidade dos mercados globais de títulos, que são de particular preocupação para o Japão, enquanto que eles também buscam um consenso para lidar com as tensões econômicas e os desequilíbrios globais.
Os títulos de Tóquio a Nova York ampliaram suas perdas nesta segunda-feira, com os investidores apostando em aumentos nas taxas de juros devido às preocupações de que a alta dos preços da energia possa estimular a inflação.
Questionado se os mercados de títulos estavam entrando em colapso, o ministro das Finanças da França, Roland Lescure, disse: "Eles estão passando por uma correção - eu não diria que estão entrando em colapso."
DIVISÕES
A reunião, que também contará com a presença de representantes dos bancos centrais do G7, abordará como os países podem coordenar sua resposta a choques como a inflação por meio de medidas temporárias, direcionadas e reversíveis, informou o Ministério das Finanças da França.
O chefe do banco central alemão, Joachim Nagel, disse que as autoridades poderiam fazer muito para acalmar os mercados e dar-lhes um impulso positivo.
Questionada na chegada se estava preocupada com a venda de títulos, a chefe do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, disse a repórteres: "Eu sempre me preocupo, esse é o meu trabalho."
A ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, disse que foi instruída pela primeira-ministra Sanae Takaichi a "minimizar vários riscos", quando questionada sobre o aumento da taxa de juros de longo prazo, sem entrar em detalhes.
Os ministros das Finanças do G7 tentarão encontrar um consenso para lidar com as tensões econômicas globais e coordenar o fornecimento de matérias-primas essenciais. No entanto, as divisões dentro do G7 complicam os esforços para projetar unidade enquanto os ministros se preparam para uma cúpula de líderes de 15 a 17 de junho na cidade de Evian.
"Não coloque em prática medidas que possam piorar a situação", disse a chefe do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, ao chegar para a reunião.
No centro da agenda de Paris estará o que Lescure descreveu antes da reunião como desequilíbrios econômicos globais profundamente arraigados que estão alimentando o atrito comercial e correm o risco de uma turbulenta reversão nos mercados financeiros.
"A forma como a economia global vem se desenvolvendo nos últimos 10 anos ou mais é claramente insustentável", disse ele, apontando para um padrão no qual a China consome pouco, os Estados Unidos consomem demais e a Europa investe pouco.