Atividade econômica cai mais do que o esperado em março mas tem alta de 1,3% no 1º tri, mostra BC

18 mai 2026 - 09h21
(atualizado às 10h21)

A atividade econômica do Brasil registrou desempenho ‌positivo no primeiro trimestre deste ano mesmo depois de ter recuado mais do que o esperado em março, em meio aos impactos da guerra no Oriente Médio, apontaram dados do Banco Central divulgados nesta segunda-feira.

Imagem de drone do centro de São Paulo, 7 de maio de 2026. REUTERS/Amanda Perobelli
Imagem de drone do centro de São Paulo, 7 de maio de 2026. REUTERS/Amanda Perobelli
Foto: Reuters

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), apresentou em março queda de 0,7% na comparação com o mês anterior, segundo dado dessazonalizado.

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Foi o primeiro recuo mensal neste ano e ⁠o mais intenso desde maio de 2025, além de ter sido pior que a expectativa em pesquisa da ‌Reuters de retração de 0,2%.

Ainda assim, o índice registrou expansão de 1,3% nos três primeiros meses do ano em relação ao quarto trimestre de 2025. Dados do PIB mostraram que a economia brasileira ‌cresceu apenas 0,1% no quarto trimestre de 2025.

O IBGE divulgará os ‌dados do PIB do primeiro trimestre em 29 de maio.

"Apesar do resultado negativo no fechamento ⁠do trimestre, o conjunto dos indicadores aponta para um primeiro trimestre robusto, impulsionado principalmente pelo consumo", afirmou o Santander Brasil em nota. "O mercado de trabalho resiliente e os estímulos fiscais recentes continuaram sustentando a demanda doméstica ao longo do período."

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O mês de março foi marcado por incertezas geopolíticas após o início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, que fechou o Estreito ‌de Ormuz e elevou os preços do petróleo.

Isso por sua vez levantou preocupações com a inflação em todo ‌o mundo. No Brasil, o ⁠IPCA de março já mostrou ⁠o impacto da guerra com alta de 0,88% diante do aumento dos preços de transportes e alimentos. Em abril, ⁠a alta do IPCA desacelerou a 0,67%.

O BC decidiu ‌no final de abril cortar a ‌taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, a 14,50%, mas pregou cautela dizendo que precisará incorporar novas informações para definir a política monetária à frente.

A abertura dos dados do BC nesta segunda-feira mostra que em março houve perdas generalizadas na atividade econômica frente ao mês anterior, com ⁠quedas de 0,2% na agropecuária e na indústria e de 0,8% dos serviços.

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No mês, dados separados do IBGE mostraram que o setor de serviços teve a maior queda desde novembro de 2024, de 1,2%, enquanto a produção industrial desacelerou com um crescimento de 0,1%.

Por outro lado, as vendas no varejo cresceram em março pelo terceiro mês seguido, renovando o ‌recorde da série histórica com alta de 0,5%, de acordo com o IBGE.

Os dados do IBC-Br mostraram que, no primeiro trimestre, a indústria avançou 1,3%, enquanto a agropecuária e os serviços tiveram ambos ⁠expansão de 1,0%.

"A atividade econômica se beneficiou sobremaneira de fatores sazonais nos primeiros meses do ano relacionados ao bom desempenho do setor agropecuário e ao maior impulso ao consumo por parte das famílias decorrente de fatores como o ganho de renda proporcionado pelo reajuste do salário mínimo, início da validade da isenção do IR e a ocorrência de festividades como o Carnaval", avaliou Matheus Pizzani, economista do PicPay.

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Na comparação com março do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 3,1%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um avanço de 1,8%, segundo números não dessazonalizados.

A mais recente pesquisa Focus realizada pelo Banco Central mostrou que a expectativa do mercado para a expansão do PIB em 2026 é de 1,85%, indo a 1,77% em 2027.

O IBC-Br é construído com base em proxies representativas dos índices de volume da produção da agropecuária, da indústria e do setor de serviços, além do índice de volume dos impostos sobre a produção.

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