BRASÍLIA - O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste sábado, 11, que a Polícia Federal apreenda o passaporte do publicitário Thiago Miranda, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro e dono de uma agência suspeita de contratar influenciadores para realizar ataques ao Banco Central e ações contra jornalistas.
A informação foi divulgada pelo site Metrópoles e confirmada pelo Estadão.
Miranda é ex-sócio do jornalista Leo Dias e foi alvo de uma operação da Polícia Federal na última quinta-feira, 9. As autoridades suspeitavam de risco concreto de fuga do País.
A investigação da PF aponta Miranda como intermediário entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e a ação dos influenciadores contra o BC após a liquidação do seu banco. A defesa nega qualquer ilegalidade (leia mais abaixo).
Em uma rede social, o deputado Lindbergh Farias comemorou a decisão, que teria sido tomada a pedido dele próprio.
"Ontem, pedi ao ministro André Mendonça a imposição de tornozeleira eletrônica, a apreensão do passaporte, a proibição de deixar o país e outras medidas cautelares contra Thiago Miranda. Em seguida, a Polícia Federal também identificou o risco concreto de fuga e representou pela retenção do documento. Agora, o ministro André Mendonça determinou a apreensão do passaporte de Thiago Miranda, publicitário ligado ao esquema de Vorcaro e responsável por negociar valores diretamente com Flávio e Eduardo Bolsonaro", disse Lindbergh.
O CERCO ESTÁ SE FECHANDO!
Ontem, pedi ao ministro André Mendonça a imposição de tornozeleira eletrônica, a apreensão do passaporte, a proibição de deixar o país e outras medidas cautelares contra Thiago Miranda. Em seguida, a Polícia Federal também identificou o risco concreto… pic.twitter.com/bJSXVTGtg5
— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) July 11, 2026
O publicitário foi o responsável por apresentar o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Vorcaro no final de 2024 e atuou diretamente na intermediação dos pagamentos do banqueiro a um fundo nos Estados Unidos que seria usado para patrocínio do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Diálogos obtidos pela PF no celular de Miranda, revelados em maio pelo site Intercept Brasil e confirmados pelo Estadão, haviam indicado que o publicitário marcou encontros entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro e fez cobranças ao banqueiro por pagamentos atrasados. Esses diálogos já estavam de posse da PF, por meio do celular apreendido de Vorcaro.
De acordo com pessoas próximas ao publicitário, ele já mantinha boa relação com Flávio Bolsonaro há muito tempo. Ele disse à PF ter conhecido Vorcaro mais recentemente, por meio de um empresário de Minas Gerais nas negociações para venda de participação no portal Léo Dias, do qual Miranda era sócio.
O que diz a defesa de Thiago Miranda
Em nota assinada pelo advogado Rafael Martins, a defesa de Thiago Miranda negou que ele tenha participado de ilegalidades. Veja a íntegra da manifestação:
Acerca dos fatos amplamente divulgados no dia de hoje, a defesa de Thiago Miranda vem a público refutar, de forma categórica, a prática de qualquer ilegalidade por seu constituinte.
Thiago Miranda sempre pautou sua atuação profissional pela legalidade, pela transparência e pelo respeito às instituições e pelo livre exercício da liberdade de expressão, não tendo praticado qualquer ato criminoso, tampouco participado de conduta destinada a intimidar, coagir, constranger ou violar direitos de terceiros.
A defesa esclarece que a existência de investigação em curso não autoriza qualquer juízo antecipado de culpa, devendo ser rigorosamente preservadas as garantias constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e, sobretudo, da presunção de inocência. Thiago Miranda está inteiramente à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários, colaborar com a apuração dos fatos e demonstrar, no foro próprio, a absoluta regularidade de sua conduta.
Por fim, informa que a defesa acompanhará atentamente todos os atos do procedimento e adotará as medidas jurídicas cabíveis para assegurar que os fatos sejam apurados com equilíbrio, técnica e respeito às garantias legais, afastando-se conclusões precipitadas ou interpretações incompatíveis com a realidade."