Em conversa telefônica, o presidente Lula questionou Donald Trump sobre as novas tarifas dos EUA contra produtos brasileiros, alegando que as medidas são infundadas e prejudicam ambos os países. Trump concordou em preservar as relações comerciais e propôs negociações entre equipes. Além das tensões tarifárias, os líderes debateram a cooperação contra o crime organizado e soluções diplomáticas no Conselho de Segurança da ONU para as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou nesta sexta-feira com o presidente norte-americano, Donald Trump, informou o Palácio do Planalto, no primeiro contato entre ambos desde que os Estados Unidos decidiram adotar novas tarifas contra os produtos brasileiros.
De acordo com nota divulgada pela Presidência da República, no telefonema, de uma hora e 20 minutos, Lula questionou as novas tarifas, reafirmando que se baseavam em "alegações infundadas" e que afetavam negativamente tanto os consumidores brasileiros quanto os norte-americanos.
"O presidente Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível", diz a nota.
O governo dos EUA adotou em julho tarifas de 25% sobre cerca de 4 mil produtos brasileiros, de acordo com um levantamento feito pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o que equivale a cerca de 18% das exportações para aquele país.
A base da decisão norte-americana foi uma investigação sobre supostas práticas comerciais desleais, a chamada seção 301 da legislação comercial dos EUA, e que acusa o Brasil, entre outros pontos, de não controlar o desmatamento e dar vantagens ao Pix contra instrumentos de pagamentos norte-americanos.
Poucos dias depois, os EUA também aplicaram uma tarifa de 12,5% alegando uma legislação fraca para combater o trabalho forçado.
O Brasil rechaça todas as acusações.
Este foi o quarto telefonema entre os dois presidentes desde setembro de 2025, quando ambos se encontraram e conversaram brevemente durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, no que foi o começo de uma relação até então hostil.
No telefonema, segundo o Palácio do Planalto, os presidentes trataram também da cooperação que Lula quer com os EUA para combater o crime organizado e sobre as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Lula tem feito uma série de conversas com presidentes dos países membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas pedindo que ajam nessas questões, entre eles Vladimir Putin, da Rússia, e Xi Jinping, da China.
"O presidente Trump teceu considerações sobre as perspectivas de resolução do conflito com o Irã. O presidente Lula lamentou a inoperância do Conselho de Segurança da ONU e, a exemplo do que sugerira aos presidentes Xi Jinping e Putin, propôs a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para encontrar saídas diplomáticas para as crises atuais", diz a nota do Planalto.