O Kremlin confirmou a retomada das exportações de diesel após acordo com Donald Trump, que busca conter os preços dos combustíveis antes das eleições nos EUA. Embora a Rússia preveja alívio nos mercados globais ao suspender restrições e enviar cargas imediatas, o volume total prometido supre menos de cinco dias do consumo do transporte americano. A medida gerou fortes críticas da Ucrânia, de aliados europeus e de republicanos, mas Moscou rebateu a reação europeia, chamando-a de cínica.
O Kremlin informou nesta quinta-feira que o diesel russo começou a chegar aos mercados globais após um acordo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Trump afirmou na semana passada que a Rússia havia concordado em fornecer diesel aos mercados globais, em um esforço para reduzir os preços dos combustíveis, enquanto Moscou suspendeu parcialmente a proibição das exportações de diesel a partir de 10 de outubro, após o acordo.
"O diesel começou a chegar aos mercados globais e deve ter um efeito positivo na estabilização dos mercados de petróleo, embora não seja suficiente para estabilizá-los totalmente", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a repórteres durante uma teleconferência diária.
Dados da LSEG mostraram na quarta-feira que a Rússia havia retomado os embarques de diesel do porto báltico de Primorsk.
De acordo com os dados de transporte marítimo, um petroleiro transportando cerca de 40.000 toneladas métricas de diesel com teor ultrabaixo de enxofre foi carregado em 13 de outubro e seguia em direção a Marrocos.
Trump está empenhado em reduzir os preços do diesel nos EUA antes das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, autoridades europeias e alguns pares republicanos de Trump criticaram veementemente o acordo.
A Rússia rejeitou as críticas europeias ao acordo do diesel como "cínicas", já que a Europa continua comprando parte do petróleo e do gás natural liquefeito russos.
Trump afirmou na última sexta-feira que a Rússia forneceria imediatamente mais de 300 mil toneladas métricas (2,25 milhões de barris) de diesel aos mercados dos EUA e globais.
Essa quantidade representa menos do que o consumo de um dia apenas para o setor de transporte dos EUA, de acordo com dados da Administração de Informação sobre Energia dos EUA, que indicam um consumo diário de cerca de 2,94 milhões de barris.
Trump também disse que a Rússia forneceria outras 500 mil toneladas em novembro e mais 1 milhão de toneladas "imediatamente depois", o que representa menos de quatro dias de demanda do setor de transporte dos EUA.