Após anos de atraso, a Tesla deve apresentar a nova versão do Roadster, seu esportivo elétrico de US$ 200 mil desenvolvido em parceria com a SpaceX. Anunciado em 2017 e prometendo ir de 0 a 100 km/h em menos de um segundo, o modelo atuará como um símbolo de prestígio tecnológico da montadora, com estimativa modesta de 2.000 vendas anuais. A revelação ocorre no Texas, em meio à transição de foco da empresa de veículos tradicionais para robótica e tecnologias de direção autônoma com inteligência artificial.
A Tesla deve apresentar seu Roadster redesenhado nesta quinta-feira, quase nove anos depois de ter exibido pela primeira vez uma versão de próxima geração de seu carro esportivo elétrico.
A Tesla revelou um protótipo do carro, que custa US$200.000, em 2017 e informou que as entregas começariam em 2020. O preço não foi atualizado, mas as reservas continuam custando US$50.000 cada.
O presidente-executivo Elon Musk minimizou a importância do carro para as finanças da Tesla, descrevendo-o em 2023 como uma "questão de pouca importância" que não "causaria um impacto financeiro significativo".
Mas o veículo ainda carrega um peso simbólico.
"A Tesla não possui, atualmente, um carro-símbolo, ou seja, um veículo de luxo de alto desempenho projetado para mostrar o que há de melhor em engenharia e tecnologia da montadora. O Roadster será o novo carro-símbolo da Tesla", afirmou o analista da Morningstar, Seth Goldstein, em uma nota no mês passado.
Musk criou expectativas em 2017, dizendo que um Roadster percorreria mil quilômetros com uma única carga. Em 2024, ele postou no X que o carro havia sido redesenhado. O novo Roadster aceleraria de 0 a 100 km/h em menos de um segundo. "E essa é a parte menos interessante", escreveu ele, acrescentando que se tratava de uma colaboração entre a Tesla e a SpaceX , a empresa de foguetes que Musk também lidera.
Goldstein espera que a Tesla venda cerca de 2.000 Roadsters por ano — uma fração dos 1,6 milhão de veículos que a Tesla vendeu no ano passado.
O Roadster original, lançado em 2008 e à venda até 2012, foi o primeiro veículo elétrico da Tesla e utilizava um chassi do Lotus Elise. Ele ajudou a mudar a visão do mundo sobre o que um veículo elétrico poderia ser. Desde então, a empresa tem se destacado por seus SUVs Model Y e Model X e pelos sedãs Model S e Model 3.
O lançamento da segunda geração do Roadster ocorre também em meio a uma mudança radical no foco da Tesla, que passou da fabricação de carros para motoristas humanos para a tecnologia de direção autônoma baseada em inteligência artificial e a robótica.
Este ano, a Tesla interrompeu a venda dos veículos Model S e X para abrir espaço para a produção de seus robôs humanoides Optimus. Também lançou o Cybercab — um robotáxi de dois lugares que não possui controles manuais, como volante, pedais e espelhos.
O evento do Roadster será realizado nesta quinta-feira, em um centro de testes da SpaceX em McGregor, no Texas.