Justiça libera Aneel para decidir sobre processo da Enel SP que pode levar à caducidade

25 mar 2026 - 15h29
(atualizado às 17h05)

A Justiça Federal do Distrito ‌Federal revogou nesta quarta-feira a liminar que havia concedido favoravelmente à Enel São Paulo e que impedia uma deliberação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no processo que pode levar à recomendação de caducidade do contrato de concessão da distribuidora de energia.

Logo da Enel em uma subestação em São Paulo, Brasil
26 de março de 2025
REUTERS/Amanda Perobelli
Logo da Enel em uma subestação em São Paulo, Brasil 26 de março de 2025 REUTERS/Amanda Perobelli
Foto: Reuters

Ao julgar o mérito da ação judicial apresentada pela Enel ⁠para suspender o processo no regulador, a juíza federal substituta Pollyanna Kelly Maciel Medeiros ‌Martins Alves avaliou que os fundamentos que sustentam a liminar "não se confirmam à luz das informações prestadas pela autoridade coatora".

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"O processo administrativo tramitou regularmente, ‌com contraditório pleno e instrução inconclusa à data ‌da impetração por razões inerentes ao regular funcionamento do colegiado — não por ⁠supressão de garantias", diz a sentença.

Ainda segundo a juíza, a manutenção da liminar paralisaria indefinidamente "processo administrativo de relevante interesse público".

A Enel havia ingressado na Justiça contra um voto proferido pelo diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, no processo que analisa falhas e transgressões da concessionária paulista no atendimento a seus consumidores nos ‌últimos anos.

No voto, Feitosa recomendou a caducidade do contrato e intervenção na distribuidora, afirmando ‌que a empresa perdeu ⁠a legitimidade para ⁠se manter na concessão.

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A diretoria da Aneel previa deliberar sobre o termo de intimação à ⁠Enel São Paulo na terça-feira, mas o ‌processo foi retirado da ‌pauta da reunião devido à vigência da liminar, agora derrubada.

A Aneel pode ou não recomendar a caducidade do contrato da concessionária, mas uma decisão final sobre isso cabe à União, que é o poder concedente.

Procurada, a ⁠Enel São Paulo disse que "respeita o Poder Judiciário, porém, não concorda com as premissas e conteúdo da decisão recentemente proferida que julgou a improcedente a ação movida pela companhia".

Em nota, a empresa italiana afirmou ainda que seguirá trabalhando "para demonstrar, em todas as instâncias, que ‌toda decisão deve ser tomada em pleno respeito às normas legais e regulatórias aplicáveis, de forma imparcial e com base em análises técnicas rigorosas e ⁠objetivas."

Os serviços da Enel têm estado sob forte escrutínio público no Brasil desde o fim de 2024, quando concessionárias da empresa levaram dias para restabelecer a energia aos consumidores após eventos climáticos extremos.

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Os problemas têm sido mais acentuados na região metropolitana de São Paulo, onde uma série de apagões após tempestades nos últimos anos evidenciaram as dificuldades da empresa em responder rapidamente a situações de emergência, segundo fiscalizações da Aneel.

Em sua defesa no caso, a distribuidora paulista argumenta que não há fundamento para a abertura de um processo de caducidade, pois estaria cumprindo com todos os indicadores regulatórios previstos no contrato. Alega ainda que o regulador não pode avaliar todas as grandes ocorrências recentes de falta de energia no mesmo processo.

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