Inflação salta em toda a zona do euro, aumentando pressão sobre BCE por alta de juros

30 set 2026 - 10h29
Resumo
Impulsionada pela disparada dos preços de energia devido ao conflito no Oriente Médio, a inflação acelerou acima do esperado nas maiores economias da zona do euro em setembro, superando a meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE) na Alemanha, França, Itália e Espanha. Com a média do bloco projetada para alcançar até 4%, intensificou-se a pressão do mercado por novas altas nas taxas de juros, embora a liderança do BCE ainda defenda uma postura moderada perante a estabilidade da inflação subjacente.

A inflação subiu ‌muito mais do que o esperado em algumas das maiores economias da zona do euro neste mês, devido ao choque nos preços da energia causado pela guerra no Irã, aumentando a pressão sobre o Banco Central Europeu para que aumente as taxas de juros novamente.

O BCE elevou as taxas duas vezes este ano para evitar que o rápido ⁠aumento dos preços se torne uma tendência, e os investidores aumentaram drasticamente as apostas em ‌novos aumentos nas últimas semanas, à medida que os preços do gás natural, da gasolina e do diesel dispararam.

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A taxa de inflação harmonizada da França ficou em 3,4% ‌em relação ao mesmo período do ano anterior em ‌setembro, ante 2,6% em agosto, enquanto na Itália ela saltou para 4,1%, ante ⁠3,2% em agosto, todas acima da meta de 2% do BCE, segundo dados divulgados na quarta-feira.

A inflação alemã acelerou um pouco mais do que o esperado em setembro, subindo para 3,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior, ante 2,9% no mês anterior.

A inflação subjacente, que exclui os preços voláteis da energia e dos alimentos, permaneceu inalterada ‌pelo terceiro mês consecutivo, em 2,4%.

Na Espanha, a taxa de inflação subiu de 4,6% em ‌agosto para 5,0% em setembro, ⁠segundo dados divulgados na ⁠terça-feira.

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A inflação dos preços da energia parece ter surpreendido para cima em todos os países que ⁠divulgaram dados até o momento, assim como a ‌inflação dos alimentos, embora de ‌forma muito mais modesta, afirmou Mariana Monteiro, do J.P. Morgan.

Os dados nacionais antecedem a divulgação da inflação da zona do euro na sexta-feira. Espera-se que a inflação no bloco fique em 3,6% em setembro, acima dos 3,2% do mês anterior, ⁠de acordo com economistas consultados pela Reuters.

MAIOR DO QUE O BCE ESPERAVA

O BCE disse esperar espera que a inflação acelere de 3,3% no terceiro trimestre para 3,6% nos últimos três meses do ano, mas economistas afirmam que o pico real provavelmente ficará mais próximo de 4%, devido aos altíssimos custos ‌da energia.

Os mercados, portanto, esperam mais quatro aumentos nas taxas de juros ao longo do próximo ano, além dos dois já realizados neste verão do hemisfério norte.

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"Com poucos sinais ⁠de uma resolução das tensões no Oriente Médio no horizonte e o inverno se aproximando, é improvável que haja uma correção nos preços da energia tão cedo", afirmou Rory Fennessy, economista sênior para a Europa da Oxford Economics.

Como o aumento da inflação deste ano ainda não gerou efeitos secundários perigosos em toda a zona do euro, uma resposta moderada do Banco Central Europeu continua sendo apropriada, afirmou a presidente do BCE, Christine Lagarde, na segunda-feira.

Embora os efeitos indiretos dos custos mais altos da energia estejam começando a se manifestar, é improvável que isso mude o equilíbrio para o BCE, disse Jack Allen-Reynolds, economista-chefe para a zona do euro da Capital Economics.

A inflação subjacente ainda não subiu significativamente este ano, mas o novo aumento nos preços da energia significa que ela poderá subir no início de 2027, alertou Fennessy.

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