O Ibovespa fechou com queda modesta nesta quinta-feira, após trocar de sinal em vários momentos, influenciado pelo noticiário sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã, em pregão marcado ainda por uma bateria de dados econômicos.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,39%, a 175.063,41 pontos, com as ações da Petrobras entre as maiores pressões negativas, mesmo com o anúncio de aumento no preço da gasolina pela estatal. Na máxima do dia, o Ibovespa marcou 176.627,32 pontos. Na mínima, 174.686,40.
O volume financeiro no pregão somou R$21,21 bilhões, de uma média diária de R$31,1 bilhões em maio.
Os EUA e o Irã chegaram a um acordo preliminar para estender um cessar-fogo por 60 dias, mas o memorando ainda precisa ser aprovado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, afirmaram fontes familiarizadas com o assunto à Reuters.
A perspectiva de um acordo, que pode levar à normalização no tráfego no Estreito de Ormuz, enfraqueceu os preços do petróleo, que trabalharam em alta em parte do pregão após o Irã ter atacado uma base aérea norte-americana no Kuweit, na sequência de ataques dos EUA contra o que Washington descreveu como uma operação iraniana com drones.
No fechamento, o barril da commodity sob o contrato Brent mostrou declínio de 0,62%, a US$93,71.
Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou em alta de 0,56%, renovando recorde, com investidores também analisando uma bateria de dados econômicos, incluindo o indicador de inflação preferido do Federal Reserve.
No Brasil, a pauta macroeconômica também ocupou as atenções. Dados do mercado de trabalho mostraram que a taxa de desemprego no Brasil atingiu 5,8% no trimestre encerrado em abril, enquanto o emprego formal teve o pior desempenho para abril desde a pandemia. O índice de preços ao produtor teve no mês passado a maior alta em quatro anos.
Pesquisa com assessores e consultores vinculados à XP, divulgada nesta quinta-feira pela instituição financeira, mostrou aumento dos níveis de alocação em ações, embora a intenção de aumentar ainda mais a exposição tenha diminuído. O estudo também mostrou que o sentimento dos assessores em relação à bolsa piorou ante a pesquisa anterior, em abril, e que a renda fixa segue como a classe de ativos preferida dos clientes, seguida de ativos internacionais.
"Instabilidade política e eleições são as principais preocupações, seguidas pelos riscos fiscais no Brasil e pelos riscos geopolíticos", revelou a pesquisa.
DESTAQUES
• PETROBRAS PN caiu 0,72% e PETROBRAS ON cedeu 1,16%, em meio ao enfraquecimento dos preços do petróleo no exterior, mesmo após a estatal anunciar que aumentará o preço da gasolina vendida a distribuidoras em R$0,48 por litro a partir de sexta-feira. A gasolina da Petrobras estava com uma defasagem de R$1,37/litro, ou 55%, em relação ao preço internacional, antes do reajuste, segundo cálculos da associação de importadores de combustíveis Abicom.
• ITAÚ UNIBANCO PN recuou 0,79%, em dia também marcado pela divulgação de dados de crédito no país. BANCO DO BRASIL ON caiu 2,18%, SANTANDER BRASIL UNIT cedeu 0,91%, BTG PACTUAL UNIT perdeu 1,25% e BRADESCO PN recuou 0,56%. Itaú, Bradesco, Santander Brasil, BTG Pactual, BB e Caixa formarão um sindicato de bancos para oferecer garantia de fiança a uma operação de crédito a ser realizada pelo governo do Distrito Federal para socorrer o Banco de Brasília (BRB), anunciada nesta quinta-feira.
• VALE ON fechou com acréscimo de 0,61%, tendo como pano de fundo a oscilação modesta dos futuros do minério de ferro na China. No setor de mineração e siderurgia, USIMINAS PNA valorizou-se 4,11%, CSN ON subiu 3,82% e CSN MINERAÇÃO ON avançou 1,51%, enquanto GERDAU PN cedeu 1,01%.
• COPASA ON valorizou-se 4,32%, após divulgar mudanças na sua oferta secundária de ações, incluindo um preço mínimo de R$47,23. A previsão para a fixação do preço agora é 11 de junho. A quantidade de ações adicionais também mudou, de 19.135.730 para 19.035.730 papéis. A oferta base permaneceu em 171.113.881 ações. Na véspera, quando a empresa anunciou que faria mudanças, mas não detalhou quais, a ação fechou em queda de 4,71%.
• RAÍZEN PN, que não faz parte do Ibovespa, desabou 19,05%, a R$0,34, um dia após a produtora de açúcar e etanol divulgar detalhes sobre o plano de recuperação extrajudicial que vem negociando com seus credores financeiros, incluindo uma taxa de conversão de R$0,25 por ação para a injeção de capital.
• RD SAÚDE ON avançou 2,43%, em meio a notícias de aumento de casos de gripe no país na comparação ano a ano, o que tende a beneficiar o varejo farmacêutico, em especial as vendas de medicamentos que não precisam de receita médica (OTC). A recente aprovação pela Anvisa da primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao produto biológico para comercialização no Brasil, do laboratório EMS, também foi vista positivamente para o setor.
• MINERVA ON subiu 2,06%, tendo no radar reportagem do jornal O Globo citando fontes de que a companhia voltou a avaliar internamente o fechamento de seu capital na bolsa.
• MAGAZINE LUIZA ON recuou 3,79%, em sessão negativa para o setor de varejo na bolsa, com ASSAÍ ON cedendo 2,92%, também na ponta negativa. O amplo índice de consumo da B3 fechou com declínio de 0,46%.
• AMBEV ON caiu 1,93%, em pregão de ajustes após três altas consecutivas, período em que acumulou valorização de mais de 3%.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)