Viridis venderá terras raras do Brasil para EUA e Europa, não para China, diz CEO

28 mai 2026 - 18h04

A mineradora australiana ‌de terras raras Viridis Mining and Minerals está em negociações avançadas com potenciais compradores desses minerais críticos na Europa e nos EUA para sua mina Colossus, no Estado de Minas Gerais, disse o CEO Rafael Moreno à Reuters, acrescentando que a empresa não está buscando ⁠compradores chineses.

A Viridis inaugurou nesta quinta-feira seu centro de pesquisa e ‌processamento de terras raras em Poços de Caldas, enquanto prepara o projeto para atingir a produção estável até o final de 2028, ‌disse Moreno.

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A instalação produzirá o primeiro carbonato ‌misto de terras raras da mina, contendo minerais como ⁠neodímio e térbio, entre outros, e ajudará a facilitar as negociações de fornecimento com os compradores, afirmou ele.

A inauguração do centro ocorre em meio a uma corrida global por terras raras e minerais críticos, enquanto governos na Europa e nos EUA tentam reduzir sua dependência ‌da China para esses materiais, que são vitais para carros elétricos e ‌sistemas de defesa.

Embora a ⁠Viridis tenha recebido ⁠interesse global de compradores -- aqueles que se comprometem a adquirir volumes específicos ao ⁠longo do tempo --, a empresa ‌trabalhará exclusivamente com compradores ocidentais, ‌apesar do forte interesse chinês, acrescentou o CEO.

"Tomamos uma posição desde o início de priorizar o mercado ocidental. À medida que a diversificação das cadeias de suprimentos ocorre, acreditamos que obteremos ⁠um valor melhor para nossos produtos, em vez da supressão de preços que a China consegue exercer quando toda a produção é direcionada para lá", disse Moreno na quarta-feira, acrescentando que as discussões com investidores e financiadores têm ‌se concentrado em manter o projeto fora das cadeias de suprimentos chinesas.

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A China responde por 60% da produção global de minério e ⁠por 90% ou mais da produção refinada de terras raras. Pequim introduziu restrições à exportação em abril de 2025 em resposta às tarifas americanas e tem defendido repetidamente as medidas, afirmando que aprova solicitações elegíveis.

Colossus é o primeiro projeto da Viridis no Brasil, embora a empresa também opere na Austrália e no Canadá. Espera-se que o centro processe até 100 quilos de minério por hora.

O projeto deverá custar entre US$360 milhões e US$370 milhões, disse Moreno, acrescentando que o investimento poderá chegar a US$400 milhões caso os financiadores solicitem que a Viridis mantenha capital de giro adicional.

O financiamento do projeto deverá ser concluído no terceiro trimestre, acrescentou.

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