Brasil cria 85,9 mil empregos formais em abril, menor resultado para o mês

De janeiro a abril, foram gerados 699.762 vínculos no País, valor 23,4% inferior ao registrado no mesmo período de 2025

28 mai 2026 - 17h50

BRASÍLIA - O mercado de trabalho brasileiro abriu 85.888 postos de trabalho em abril, segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta quinta-feira, 28, pelo Ministério do Trabalho e Emprego. É o pior resultado desde 2020, início do Novo Caged, quando o saldo ficou negativo em 981.342.

O saldo do mês passado é resultado de 2.268.655 admissões e 2.182.767 desligamentos. Em março, o saldo havia sido positivo em 227.974 vagas, já incorporando os ajustes na série. Já em abril de 2025, o saldo foi de 238.216 vagas.

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O resultado ficou abaixo da mediana da pesquisa Projeções Broadcast, que apontava para um abertura líquida de 211.100 vagas, e também do piso projetado de 130 mil vagas.

Três dos cinco grandes agrupamentos de atividades econômicas registraram saldos positivos em abril.

Registraram saldos positivos: serviços, que abriu 69.601 vagas, construção, com 23.525, e indústria, com 9.256. Registraram saldo negativo o comércio, que fechou 8.114 vagas e a agropecuária, que fechou 8.378 vagas.

Estados

Em abril de 2026, foram registrados saldos positivos em 24 das 27 unidades da Federação, com destaque para São Paulo (que criou 20.202 vagas), Rio de Janeiro (+11.741) e Minas Gerais (+8.991). Os Estados com desempenho negativo foram Alagoas (que fechou 1.505 vagas), Rio Grande do Sul (-1.396) e Rio Grande do Norte (-1.396).

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O salário médio real de admissão em abril foi de R$ 2.386,56, uma leve ampliação em relação a março de 2026 (R$ 2.369,88) - variação positiva de R$ 16,68 (0,7%). Já em comparação com o mesmo mês do ano anterior, que desconta mudanças decorrentes da sazonalidade do mês, o aumento foi de R$ 42,21 (1,8%).

Acumulado do ano

De janeiro a abril de 2026, foram gerados 699.762 vínculos no País, valor 23,4% inferior ao registrado no mesmo período de 2025 (913.827). É o menor saldo de empregos formais para o primeiro quadrimestre de um ano desde 2020, início do Novo Caged, quando o saldo foi negativo em 946.878.

No acumulado dos últimos 12 meses (de maio de 2025 a abril de 2026), o saldo é de 1.059.860 vagas.

No acumulado do ano, quatro dos cinco grandes grupamentos de atividades econômicas registraram saldos positivos. O maior crescimento do emprego formal ocorreu no setor de serviços, com saldo de 451.996 postos, seguido pela construção, com 143.547, pela indústria, com 124.085, e pela agropecuária, com 6.760. Apenas o comércio registrou saldo negativo de 26.614 postos formais de trabalho.

Ministro atribui resultado a juros e guerra

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, atribuiu o resultado de abril ao impacto dos juros e aos efeitos da guerra no Oriente Médio.

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"Eu creio que é a conjunção dos dois fatores, um efeito bastante negativo para a economia brasileira, porém, não vejo motivo de desespero. É um processo de crescimento contido, vamos chamar assim. Me preocuparia muito se houvesse impacto negativo na indústria. A indústria continua resistindo, isso é muito bom", argumentou.

Ele voltou a classificar os juros no País como "excessivamente altos" para a economia brasileira. "Ajudaria muito a redução dos juros para a atividade econômica. É visível que investimentos de vários setores estão sendo prolongados. Não existe, infelizmente, uma desistência de investimento, mas é um sendo alongado, mais gradativo, poderia ser mais rápido caso não houvesse esses juros tão excessivos, porque o potencial da economia brasileira é de crescimento", sustentou.

Marinho disse que a expectativa é de geração de mais de 1 milhão de empregos em 2026. De janeiro a abril de 2026, o saldo acumulado é 699.762 vínculos no País.

A subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, Paula Montagner, disse que a queda na geração de empregos no comércio - que fechou 8.114 vagas de emprego formal em abril - está ligada ao alto endividamento da população brasileira, e não a perspectivas de redução da escala 6x1.

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"Não é à toa que o Desenrolo foi tão rapidamente absorvido, era uma demanda da população pelo processo de endividamento, e quando você está nesse processo de endividamento, você primeiro paga as dívidas, ou pelo menos equilibra o orçamento", afirmou a subsecretária.

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