Dólar fecha em baixa após notícias sobre acordo preliminar entre EUA e Irã

28 mai 2026 - 17h15
(atualizado às 17h36)

Após iniciar a sessão ‌em leve alta, o dólar perdeu força ante o real no fim da manhã e fechou a quinta-feira em baixa, após notícias de que EUA e Irã teriam chegado a um memorando de entendimentos para estender o cessar-fogo no Oriente Médio por 60 dias.

O dólar à vista encerrou o dia com baixa de 0,56%, aos R$5,0331. No ⁠ano, passou a acumular recuo de 8,31% ante o real.

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Às 17h10, o dólar futuro ‌para junho -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- cedia 0,56% na B3, aos R$5,0360.

No fim da manhã, o site Axios informou que EUA e Irã teriam chegado ‌a um acordo preliminar para estender o cessar-fogo ‌por 60 dias. O acordo, confirmado posteriormente pela Reuters, ainda dependia da aprovação ⁠do presidente norte-americano, Donald Trump.

A possibilidade de um acordo se refletiu na queda dos preços do petróleo Brent, no recuo dos rendimentos dos Treasuries e no enfraquecimento do dólar ante as demais divisas, incluindo o real.

O dólar seguiu em queda ainda que, durante a tarde, a agência de notícias iraniana Tasnim tenha afirmado que o memorando não ‌havia sido finalizado ou confirmado.

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Às 15h17, o dólar à vista atingiu a cotação mínima de ‌R$5,0229 (-0,76%).

"O movimento (de queda do ⁠dólar) ganhou força após ⁠anúncio de um possível acordo entre Washington e Teerã estar praticamente fechado, dependendo apenas da aprovação ⁠final de Donald Trump, reduzindo parte do prêmio ‌de risco geopolítico", resumiu no ‌fim da tarde Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.

No noticiário local, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, reiterou pela manhã o desconforto com a alta das expectativas de inflação para 2028 ⁠no Brasil, acrescentando que a instituição buscará atingir a meta inflacionária.

"Hoje temos uma perturbação relevante", comentou David, em referência ao conflito no Oriente Médio, durante palestra em evento do Banco Pine, em São Paulo. "O BC está atento a isso, não vai permitir que isso se transforme em inflação além ‌do horizonte relevante", acrescentou.

No mercado, a expectativa é de que o BC promova mais um corte de 25 pontos-base da Selic em junho, mas há dúvidas sobre o ⁠espaço para novas reduções depois disso, justamente por conta do descolamento das expectativas de inflação da meta, em meio à continuidade da guerra no Oriente Médio.

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Atualmente a Selic está em 14,50% ao ano, bem acima das taxas praticadas em países como EUA e Japão, e este diferencial de juros foi nos últimos meses um fator favorável à atração de dólares para o Brasil.

No evento, David avaliou ainda que o real se comportou de forma atípica nos últimos 12 meses, quase como um "unicórnio" -- ou seja, uma exceção -- em eventos de pressão sobre as moedas globais, em meio ao tarifaço dos EUA e da guerra no Oriente Médio.

No exterior, às 17h25, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- caía 0,27%, a 99,028.

(Edição de Isabel Versiani)

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