BRASÍLIA - O governo Lula decidiu trocar o comando do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), demitindo o procurador federal Gilberto Waller Júnior e nomeando para o cargo Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira do órgão.
A avaliação dentro do governo é que o combate às fraudes nos descontos associativos já está encaminhado, com operações avançadas para identificar e punir os responsáveis, e que agora seria necessário voltar a focar no enfrentamento da fila do INSS, que bateu 2,7 milhões de pessoas em março.
A interlocutores, Waller disse ter sido surpreendido pela demissão, formalizada pelo secretário-executivo do Ministério da Previdência, Felipe Cavalcante e Silva. Ele também negou que a preocupação com a fila fosse o motivo real de sua saída, sob argumento de que os números melhoraram recentemente. Apesar do resultado do mês passado, porém, a fila está no mesmo patamar de março de 2025.
Waller foi nomeado presidente do INSS no final de abril do ano passado. Ele substituiu Alessandro Stefanutto, que pediu demissão após ser afastado pela Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal naquele mês para investigar fraudes bilionárias em descontos de aposentadorias e pensões.
Ao longo dos 11 meses em que ficou à frente do órgão, Waller teve alguns atritos com o ministro da Previdência, Wolney Queiroz. Em novembro, por exemplo, o então presidente do INSS pediu ao ministro o afastamento da servidora Léa Bressy da função de sua substituta no órgão.
Em seu pedido, ele citou suposta proximidade da servidora com Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS afastado após operação da Polícia Federal cotntra os desvios ilegais de aposentadorias e pensões. Na ocasião, o ministro pediu a Waller provas de crimes, irregularidades ou desvios éticos que fundamentassem a saída de Léa.
Ana Cristina Viana Silveira é indicação de Wolney, que decidiu permanecer no governo, em vez de disputar algum cargo eletivo em outubro. Com isso, o ministro ganhou carta branca para compor sua equipe.
Silveira terá como missão reduzir a fila do INSS e reorganizar o ambiente interno do órgão, que era considerado muito tensionado por causa da gestão de Waller.
Também havia uma leitura de que o ex-presidente do órgão só priorizava uma medida para acabar com a fila, que era a concessão de bônus para peritos. Ele porém disse que à frente do INSS adotou outras medidas, como a nacionalização da análise da fila de análise para permitir que servidores de qualquer região atuem nos processos de localidades com maior tempo de espera.
Mas para o governo o aumento da fila não era considerado proporcional ao número de requerimentos protocolados solicitando benefícios, o que gerou críticas à atuação de Waller.
A mudança busca ainda evitar o desgaste que o aumento da fila do INSS poderia provocar na campanha à reeleição de Lula.
Em março, a fila caiu de 3,1 milhões para 2,7 milhões. A média de novos pedidos foi de 61 mil por dia, superando a média de 59 mil registrada em fevereiro.
Antes de sua demissão, Waller chegou a declarar, por meio de uma nota publicada no site do INSS, que o "resultado histórico" de redução da fila de espera por benefícios em março foi "fruto de uma atuação firme, com foco em produtividade e no atendimento ao cidadão". "A fila está caindo porque estamos trabalhando mais e melhor", disse Waller.