O dólar iniciou a semana abaixo de R$ 5 em um movimento puxado pelo alívio das tensões geopolíticas e por mudanças nas expectativas econômicas globais. Na segunda-feira, 13, o dólar fechou cotado a R$ 4,99, a primeira vez em dois anos que encerrou uma sessão abaixo da marca de R$ 5. Na terça-feira, 14, a moeda norte-americana ficou estável e encerrou novamente no mesmo patamar.
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Embora a sinalização de que o Irã estaria disposto a negociar um acordo sobre a guerra, mencionada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha contribuído para reduzir a aversão ao risco nos mercados globais, a apreciação do real frente a moeda americana decorre tanto de razões externas quanto internas, segundo especialista consultados pelo Terra.
Para André Senna Duarte, economista e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), a queda do dólar está ligada, em grande parte, à deterioração da política econômica americana.
“O crescimento rápido do endividamento, acomodação do mercado de trabalho e uma política monetária com juros relativamente baixos nos EUA dado o nível de inflação, são elementos importantes para explicar a queda do dólar”, explica.
Ao mesmo tempo, fatores internos ajudam a sustentar o real, segundo Senna Duarte. A alta do petróleo, impulsionada pela tensão no Oriente Médio, beneficia o Brasil, hoje exportador líquido da commodity, melhorando o saldo comercial.
Luan Aral, especialista em dólar da Genial Investimentos, ressalta que a queda do dólar faz parte de um ajuste global, não sendo um movimento exclusivo do Brasil. “O dólar vem perdendo força no mundo todo, principalmente pela expectativa de queda de juros nos Estados Unidos”.
Esse cenário favorece estratégias conhecidas como carry trade, em que investidores buscam ganhos no diferencial de juros entre países. Com taxas mais altas no Brasil, o fluxo de capital estrangeiro se intensificou — mais de US$ 60 bilhões (R$ 298 bilhões) já entraram no país neste ano, segundo Luan Aral.
A perspectiva para os próximos meses, segundo especialistas, é de manutenção de um dólar mais fraco no curto prazo, desde que se confirmem as expectativas de corte de juros nos Estados Unidos e continuidade do fluxo estrangeiro para mercados emergentes.