Quadra Capital se aproxima de acordo para comprar R$15 bi em ativos do BRB, dizem fontes

14 abr 2026 - 20h36

A gestora ‌de ativos independente Quadra Capital está perto de concluir a aquisição de R$15 bilhões em ativos do Banco de Brasília (BRB), estatal, que antes pertenciam ao Banco Master, disseram três pessoas familiarizadas com as negociações.

O acordo requer sinal verde, ou pelo menos a ausência de objeções, do Banco Central (BC), acrescentaram as fontes, sob condição de anonimato, ⁠pois a informação não é pública.

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Embora não seja necessária aprovação formal, de acordo com outras ‌duas fontes, a autoridade monetária precisa entender a estrutura da transação, disse uma delas.

A Quadra e o BRB recusaram-se a comentar. O BC não respondeu de imediato ‌ao pedido de comentário.

O regulador financeiro tem estado ‌em contato com o BRB devido à necessidade da instituição reforçar seu ⁠capital após um problema no balanço patrimonial relacionado à aquisição de ativos da Master, que incluíam carteiras de crédito fraudulentas.

Em novembro passado, o BC liquidou o Master, um banco de médio porte que havia crescido agressivamente por meio de uma estratégia baseada em títulos de alto rendimento vendidos através de plataformas de investimento.

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O ex-controlador do banco, ‌Daniel Vorcaro, está atualmente preso enquanto a polícia investiga um caso de fraude. Após sua ‌prisão no mês passado, a ⁠equipe de defesa ⁠de Vorcaro divulgou um comunicado afirmando que ele nega as acusações feitas contra ele.

PARTICIPAÇÕES ACIONÁRIAS E ⁠CRÉDITOS

De acordo com uma das fontes, os ‌ativos em negociação entre a ‌Quadra e o BRB consistem essencialmente em participações acionárias em empresas ou créditos contra empresas e indivíduos que antes pertenciam à Master, mas que não tinham nenhuma ligação com o banco ou seus controladores.

A Quadra é especializada na gestão ⁠de ativos de baixa liquidez.

A empresa e o BRB estão em negociações há cerca de 60 a 90 dias e devem concluir o acordo dentro de algumas semanas, dependendo da aprovação do BC, disseram pessoas familiarizadas com o negócio.

Na semana passada, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, ‌disse a repórteres em Brasília que o BRB estava em negociações com uma empresa de investimentos não especificada para vender até R$15 bilhões em ativos adquiridos do ⁠Master.

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Segundo a estrutura proposta, a transação envolveria um pagamento inicial de R$4 bilhões, com o restante mantido em cotas do fundo, acrescentou ela.

As fontes confirmaram que a maior parte do negócio seria paga em quotas de um novo fundo a ser criado especificamente para gerir os antigos ativos do Banco Master, mas não especificaram a divisão exata dos valores.

Antes da liquidação, o BRB adquiriu ativos do Master e também estava em negociações para obter o controle da instituição financeira, mas o BC rejeitou a transação.

O BRB não cumpriu o prazo legal para publicar suas demonstrações financeiras de 2025, alegando a necessidade de concluir uma auditoria forense relacionada aos impactos da aquisição. A instituição financeira agendou uma assembleia de acionistas para 22 de abril para votar medidas que visam fortalecer sua base de capital.

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