Galípolo diz que problema do Copom foi de 'excesso e não de falta de informação'

Presidente do BC afirma que mercado está 'no direito de pedir informação' e que autarquia vai 'preservar direito' de não sinalizar próximos passos em períodos de incerteza: 'Pode ser contraproducente'

25 jun 2026 - 13h21

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira, 25, que o problema na comunicação da reunião de junho do Comitê de Política Monetária (Copom) foi de excesso, e não de falta de informação.

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"É um caso particular de uma incompreensão, um ruído que foi gerado a partir daquele parágrafo que decorre da tentativa de explicar uma série de coisas em um espaço que é muito apertado, muito conciso do próprio comunicado", disse Galípolo, que participou de entrevista à imprensa sobre o Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

"A responsabilidade, se o parágrafo não conseguiu transmitir aquilo que queríamos em um espaço conciso, é absolutamente minha aqui", acrescentou o banqueiro central, que observou que o comunicado apresenta o que é consenso no colegiado.

Galípolo ressaltou que não há nenhum tipo de mudança do ponto de vista da política monetária e disse que a discussão que pode ficar é sobre o nível de detalhamento dado no comunicado. "Talvez seja mais pertinente realmente a gente deixar os nossos comunicados mais concisos e reservar explicações como essa para a ata."

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O banqueiro central ponderou que a decisão de cortar a Selic em 0,25 ponto porcentual foi apontada pela maioria dos participantes do Questionário pré-Copom (QPC) como a que deveria ser tomada. Mencionou também que, na data da reunião, a curva de juros precificava mais de 20 pontos de corte.

Galípolo afirmou que há uma confusão nas críticas feitas ao Copom sobre o que é ser mais claro no comunicado e o que é sinalizar o que vai fazer.

"Uma coisa não pode ser confundida com a outra; você pode ser mais claro no comunicado sem precisar comunicar o que você vai fazer", disse.

Ele diferenciou que há dois tipos de críticas ao Copom neste momento. A primeira vem de setores que se contrapõem a uma taxa de juros significativamente restritiva, e a segunda é comum em momentos de maior incerteza, nos quais há um desejo maior por algum tipo de guidance, pedidos de sinalização sobre o que o BC fará no futuro.

Sobre essa segunda categoria, afirmou que nenhum outro Banco Central está fazendo isso no atual momento de incerteza, e que nem a literatura recomenda o uso de guidances em períodos de incerteza. "Pode ser contraproducente para a própria eficiência da política monetária", disse.

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Galípolo afirmou que o mercado está "no direito de pedir essa informação" e que o "BC vai preservar o seu direito de não dar essa informação quando ele achar que não interessa". "Não porque estamos escondendo o que vamos fazer, mas porque, em um ambiente como esse, a decisão será tomada daqui a 40 dias, na próxima reunião", disse o presidente da autoridade monetária, que reiterou a importância de usar o tempo entre os encontros do Copom para coletar dados.

Copom considerou o 'óbvio', diz Galípolo

O presidente do Banco Central disse que o Copom não destacou a assimetria altista no seu balanço de riscos para a inflação no último comunicado por considerar "óbvia" a caracterização, devido à existência de quatro riscos para cima e três, para baixo. A avaliação contraria declarações anteriores, quando o banqueiro central afirmou explicitamente que não bastaria "contar riscos" para inferir uma assimetria.

No último comunicado, divulgado no dia 17, o Copom mencionou quatro riscos altistas e três baixistas para a inflação, mas sem caracterizar o seu balanço como assimétrico. Antes, vinha citando três riscos em cada direção. Só na ata da reunião, publicada na última terça-feira, 23, o comitê mencionou explicitamente essa assimetria altista.

"A gente achou que estava meio óbvio, com o 4 a 3, que estava assimétrico, e a gente reforçou isso na ata", disse Galípolo. Ao longo do ano passado, em contraste, o banqueiro central já havia afirmado que "o balanço de riscos não se restringe a contar quantos riscos de baixa e de alta a gente tem."

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Segundo Galípolo, os membros do comitê podem ter achado que diversas questões estavam "óbvias" no comunicado e, por isso, acabaram não citando esses fatores explicitamente.

O presidente do Banco Central disse que as trajetórias de juros avaliadas pelo Copom na última decisão levam em conta diferentes opções de pausa e retomada dos cortes da Selic — o chamado "stop-and-go", no qual uma parada não significa fim do ciclo.

"Eram cenários que simulavam alternativas de quando pausar e quando seria possível retornar esse ciclo de calibragem para produzir a convergência; foi isso que a gente simulou ali nas diversas alternativas", disse.

Segundo o banqueiro central, a previsão de virada do hiato do produto para o campo negativo — de 0,5% no primeiro trimestre deste ano para -0,5% no quarto trimestre de 2027 — reflete a expectativa de que a política monetária contracionista vá desacelerar a atividade econômica, afetando o crédito ao longo do tempo.

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Galípolo acrescentou que o BC incorpora gradualmente os impactos das medidas fiscais e de crédito do governo nas projeções de inflação, e essa abordagem tem se mostrado benéfica, por permitir que o BC avalie os efeitos à medida que eles se materializam.

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