Taxas de DIs reduzem perdas após dirigentes do BC negarem alongamento do horizonte da política monetária

25 jun 2026 - 13h16

As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de curto prazo reduziram ‌as perdas no fim da manhã desta quinta-feira e as de longo prazo retornaram à estabilidade, após dirigentes do Banco Central negarem que o horizonte da política monetária esteja sendo alongado.

Às 12h58 a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,18%, em baixa de 14 pontos-base ante o ajuste de 14,32% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,21%, estável.

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Até o início da ⁠coletiva de imprensa dos dirigentes do BC sobre o Relatório de Política Monetária, às 11h, as taxas vinham exibindo perdas ‌firmes em toda a curva, após dados mostrarem o IPCA-15 desacelerando em junho, com a abertura dos números indicando melhora em diferentes métricas.

Na entrevista coletiva, o diretor Paulo Picchetti afirmou que o BC não está alongando o horizonte relevante ‌para a política monetária e não tem a intenção de fazer isso. ‌Segundo ele, a intenção da autarquia ao chamar atenção para o primeiro trimestre de 2028 nas comunicações recentes, ⁠se deu sob avaliação de que o choque de oferta gerado pela guerra no Oriente Médio e pelo fenômeno climático El Niño afeta a inflação no horizonte relevante, mas é completamente insensível ao que o BC faz na política monetária.

Picchetti pontuou que um choque de juros para conduzir a inflação à meta de 3% não "abriria o Estreito de Ormuz" nem mudaria o El Niño.

Ao mesmo tempo, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que a instituição não está dando sinalizações ‌sobre o futuro dos juros, em função da incerteza, e salientou que não há nenhum tipo de mudança na política monetária.

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"Estamos ‌recolhendo dados nos próximos 40 dias para ⁠que o Copom possa tomar ⁠a decisão (sobre juros) à luz dos novos fatos", disse Galípolo.

Os comentários de Picchetti e Galípolo, conforme operador ouvido pela Reuters, deram força ⁠às taxas, que se distanciaram das mínimas da sessão. Por trás ‌do movimento está a percepção de que ‌os dirigentes do BC reforçaram a ideia de busca da meta de inflação no horizonte relevante -- hoje no quarto trimestre de 2027.

Desde a semana passada, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,25% ao ano, as taxas futuras vinham em queda, com investidores avaliando que o colegiado ⁠teria descartado altas de juros no curto prazo para atingir a meta, preparando terreno para mais cortes ao alongar o horizonte relevante, apesar da piora do cenário para a inflação.

No Relatório de Política Monetária, divulgado antes da abertura do mercado, o BC projetou em seu cenário de referência que a inflação seguirá em alta no segundo, no terceiro e no quarto trimestre deste ano, fechando 2026 em 5,2%. O ‌percentual está acima do teto de 4,5% da meta perseguida. Depois, conforme as projeções do BC, a inflação cairá gradualmente até 3,7% no fim de 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028, chegando a 3,1% no fim ⁠de 2028, último período analisado.

No documento, o BC também elevou de 1,6% para 2,0% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, citando a aceleração da atividade, o mercado de trabalho resiliente e as medidas de estímulo do governo.

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Na abertura da sessão, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,41% em junho, desacelerando ante a alta de 0,62% em maio. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam elevação de 0,44% em junho.

A abertura do indicador também trouxe dados favoráveis. A taxa dos serviços subjacentes -- que excluem itens mais voláteis -- desacelerou de 0,53% em maio para 0,27% em junho, conforme o banco Bmg. Já a inflação dos serviços intensivos em mão de obra passou de 0,60% para 0,50% no período. A taxa dos serviços de modo geral foi de 0,48% para 0,40%.

Também houve melhora na média dos núcleos de inflação acompanhados pelo BC, com a taxa desacelerando de 0,48% em maio para 0,34% em junho, de acordo com o Bmg.

No exterior, às 12h58, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- cedia 2 pontos-base, a 4,38%.

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