Lula diz que Brasil produzirá ao menos 70% de todo o fertilizante que precisa

Presidente voltou a criticar durante evento processos de privatizações no Brasil, incluindo a BR Distribuidora, antiga subsidiária da Petrobras, que atuava na distribuição de combustíveis

25 jun 2026 - 13h46

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o Brasil produzirá pelo menos 70% do fertilizante usado por agricultores no País. Essa estimativa foi feita durante cerimônia de anúncio da retomada de obras de fábrica de fertilizantes em Três Lagoas (MS).

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"Ainda sonho que a gente vai ter, se não 100%, acima de 70% de todo o fertilizante de que precisamos no País. Um País jamais será soberano se não for dono das coisas principais que ele produz", afirmou.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

Lula associou o assunto ao tema de defesa da soberania brasileira, que se tornou um dos predominantes nos discursos do presidente desde o tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos no ano passado.

"Pode ficar certo: este País vai construir sua soberania sendo independente de importação de fertilizante dos outros países. Apenas esperem", declarou.

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O presidente também usou seu discurso em Três Lagoas para falar sobre inteligência artificial e uso de redes sociais. Fez a fala que rotineiramente faz: de ressalvas quanto aos avanços da IA e de valorização do que chama de "inteligência humana". Chamou a IA de "monstro" e fez uma previsão quase fatalista, fazendo referência a filmes de ficção científica em que máquinas se tornam tão avançadas que dominam os seres humanos.

"A inteligência artificial é um monstro que vai fugir do conhecimento do ser humano e vai se autorregular. Preparem-se, você já cansou de ver filme de ficção. Não está longe o dia em que a inteligência artificial não vai precisar mais do ser humano. E aí é o ser humano perdendo o controle daquilo que criou. Eu prefiro lidar com a inteligência humana. A gente não pode virar algoritmo", disse.

Presidente volta a criticar privatizações

Lula voltou a criticar alguns dos processos de privatizações no Brasil, incluindo a BR Distribuidora, antiga subsidiária da Petrobras, que atuava na distribuição de combustíveis. Parte do governo tem citado com frequência esse argumento, especialmente após o acirramento do conflito no Oriente Médio e o impacto nos preços de derivados do petróleo. Em sua fala, Lula também citou a Liquigás e a Eletrobras (hoje Axia Energia).

"Eu quero que apareça um gênio para explicar ao mais humilde dos brasileiros o que o Brasil ganhou com a privatização da BR Distribuidora. O que o Brasil ganhou quando venderam a Liquigás. Foi uma empresa que eu tinha comprado para que a Petrobras participasse da regulação do preço de gás de cozinha, que sai a menos de R$ 40 e chega para o povo a R$ 170, R$ 160", declarou o presidente.

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Por contrato, até 2029, a Petrobras não pode concorrer com a Vibra (ex-BR Distribuidora). Embora ocorram críticas à privatização, o governo tem reiterado o respeito à cláusula contratual. Em março, o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa reconheceu a possibilidade de retorno da atuação estatal no setor de distribuição de combustíveis. As discussões seriam preliminares.

Já sobre o processo de privatização da Eletrobras, Lula também questionou eventuais ganhos para o País. "Eu gostaria que alguém me explicasse por que privatizar a Eletrobras. Qual foi o ganho do Brasil? O que é que o povo brasileiro ganhou? A qualidade da energia melhorou? Muita gente travestida de investidor, de gestor, na verdade, é um vendedor de coisas públicas a preço de bananas", afirmou.

A fala de Lula se deu durante a cerimônia que marca a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Mato Grosso do Sul (MT). A UFN-III integra o Novo PAC e receberá investimentos de mais de R$ 5 bilhões para sua conclusão, de acordo com informações do Palácio do Planalto. Lula repetiu o argumento de que a Petrobras não é só uma empresa de petróleo e tem um papel "fundamental" na transição energética.

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