Banco Digimais: entenda o que pode acontecer com o banco e seus clientes após operação da PF

Até o momento, o Banco Central não interveio na questão

23 jun 2026 - 19h51
(atualizado às 20h08)
Banco Digimais foi alvo da Polícia Federal nesta terça-feira, 23
Banco Digimais foi alvo da Polícia Federal nesta terça-feira, 23
Foto: ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

O Banco Digimais foi alvo de operação da Polícia Federal nesta terça-feira, 23. A ação apura fraudes no sistema financeiro ligadas à instituição financeira de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. O banco diz possuir mais de 145 mil clientes e já ter concedido R$ 1 bi em crédito. E agora? Entenda o que pode acontecer com o banco e seus clientes.

Até o momento, o Banco Central não interveio na questão. Mesmo com as investigações, existe a possibilidade de o banco provar que consegue honrar com seus compromissos e seguir em operação.

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Mas o cenário pode ser outro. Considerando o andar das investigações, o Banco Central pode constatar que o Digimais perdeu a capacidade mínima para seguir operando e intervir na instituição por meio dos chamados regimes de solução. Aí, sim, os clientes podem ser impactados.

Quais são as intervenções?

“Quando uma instituição financeira apresenta grave comprometimento do seu patrimônio ou dificuldade de honrar seus compromissos, o Banco Central pode determinar aos seus controladores que aportem os recursos necessários, transfiram o controle, reorganizem a sociedade ou adotem medidas de recuperação”, explica o BC.

Quando um regime desses é decretado, os controladores do banco perdem o poder de gestão e a instituição passa a ser administrada por um liquidante, interventor ou conselho diretor, nomeado pelo BC, conforme o tipo do regime.  

A intervenção, por exemplo, é adotada quando existe possibilidade de “salvar o banco”. Nesse caso, as atividades são suspensas temporariamente por até um ano. Se não houver solução, pode ser decretada liquidação extrajudicial ou a falência do banco.

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Já a liquidação extrajudicial se trata do processo de fechamento de portas do banco. Nesses casos, o Banco Central interrompe o funcionamento e promove a retirada da instituição do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Há ainda a possibilidade de Regime de Administração Especial Temporária (RAET), que não afeta as atividades normais da instituição. Segundo o BC, esse sistema é adotado quando a instituição, “em razão do seu porte ou complexidade operacional, desempenha funções críticas para a economia real ou quando a paralisação abrupta do seu funcionamento possa causar riscos à estabilidade financeira”. O regime pode ser encerrado caso as coisas voltem à normalidade. Se não, pode ser o caso de ser decretada liquidação extrajudicial.

O Terra acionou o Banco Central em busca de um posicionamento sobre a situação atual do Digimais. O espaço segue aberto e será atualizado em caso de retorno.

E os clientes?

Se alguma intervenção do tipo pelo Banco Central for realizada no banco, em um primeiro momento, valores que os clientes têm em suas contas podem ser congelados -- o que não significa que o dinheiro sumiu. 

Isso porque os clientes são protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Por meio desse fundo, é garantida a devolução de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, e por instituição ou conglomerado financeiro, para valores que estavam em contas do banco ou aplicados em determinados investimentos.

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 Se for o caso, segundo o FGC, o pagamento da garantia começa quando o Banco Central decreta a liquidação da instituição financeira. “O liquidante envia uma lista das pessoas credoras e os valores a serem pagos, agrupando os créditos por CPF ou CNPJ, para o FGC processar os pagamentos a serem realizados”.

Já os valores acima do teto de R$ 250 mil vão para outro campo de negociação e a devolução desse “saldo remanescente” depende de outros processos, como o desenrolar da liquidação dos bens da empresa.

A operação

A Polícia Federal cumpriu nove mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Miragem, em São Paulo, nesta terça-feira, 23. A apuração, que foi baseada em relatórios do Banco Central, também levou ao  bloqueio de até R$ 670 milhões em bens e quebra de sigilos bancários e fiscais dos investigados. 

Há indícios de que dirigentes do banco utilizaram fundos de investimento e operações contábeis para aparentar uma situação financeira mais saudável do que a existente na realidade, indica a PF.

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Segundo informações do Estadão, o banco teria replicado a tática que foi realizada pelo Banco Master. A PF afirma que tanto o Digimais quanto o Master teriam utilizado ativos de rentabilidade considerada desproporcional aos padrões de mercado para inflar seu patrimônio e captar recursos de investidores. 

No caso do Digimais, a investigação sustenta que a instituição teria replicado uma dinâmica observada no Master: assumir riscos elevados enquanto transmitia ao mercado a percepção de que os depósitos estariam protegidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). 

O Estadão revelou os nomes dos investigados. Os alvos dos mandados de busca e apreensão são:

  • Marcelo de Lima Brasil, executivo do Banco Digimais;
  • João Alves de Campos, executivo do Banco Digimais;
  • Rodrigo Ruggero, executivo do Banco Digimais;
  • João Luiz Urbaneja, homem de confiança de Edir Macedo e dirigente do Banco Digimais;
  • Thiago Rodrigues Urbaneja, filho de João Luiz e dirigente do Banco Digimais;
  • José Roberto Giancoli Filho, dono da ID, gestora dos fundos do Digimais;
  • Rodrigo Balassiano, dono da ID, gestora dos fundos do Digimais;
  • Banco Digimais S.A.;
  • ID Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.

O bispo Edir Macedo não foi alvo das buscas porque reside no exterior. No entanto, foi autorizado o bloqueio e sequestro de bens do bispo evangélico, assim como dos outros alvos.

Os materiais apreendidos serão analisados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal e a investigação continua.

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PF bloqueia R$ 670 milhões em bens ligados ao banco de Edir Macedo em operação contra fraudes
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O que diz o Digimais?

A reportagem tenta contato com a instituição financeira e o espaço segue aberto. Até o momento da publicação desta matéria, o que foi divulgado pelo banco foi uma nota de esclarecimento publicada no último sábado, dia 20.

No texto, o Banco Digimais cita que jornais estão divulgando "supostas irregularidades contábeis e investigações sem qualquer lastro na realidade".

Leia a nota na íntegra:

O Banco Digimais vem a público manifestar seu esclarecimento diante das recentes matérias jornalísticas veiculadas, as quais imputam, de forma imprudente e irresponsável, supostas irregularidades contábeis e investigações sem qualquer lastro na realidade.

Diante do manifesto caráter difamatório da publicação, esclarecemos o que segue:

• Ausência de Provas e Fatos Deturpados: As publicações baseiam-se em alegações completamente inverídicas, distorcidas e desprovidas de qualquer comprovação material ou documental. Trata-se de narrativas plantadas com o claro intuito de prejudicar a imagem pública e a solidez da instituição.

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• Compromisso com a Legalidade: Reiteramos que todas as nossas operações, balanços e movimentações financeiras são pautados pela mais estrita legalidade, legitimidade, transparência e em total conformidade com as normas dos órgãos reguladores do sistema financeiro nacional, sendo auditados regularmente.

• Irresponsabilidade Jornalística: A divulgação de acusações gravíssimas sem a devida checagem dos fatos ou a apresentação de provas concretas fere frontalmente a ética jornalística e o direito à informação verídica, gerando desinformação e prejuízos infundados.

A instituição permanece firme em seu propósito, operando com a segurança e a integridade que sempre nortearam suas atividades, à disposição de seus clientes, parceiros e das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos legítimos.

São Paulo, 20 de maio de 2026. Administração. Banco Digimais.

Fonte: Portal Terra
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