Alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (23), o Banco Digimais tem origem no Rio Grande do Sul. A instituição nasceu em 1981, em Porto Alegre, como Banco A.J. Renner, criado pela família Renner, a mesma que fundou a rede de lojas Lojas Renner.
O nome fazia referência a Antônio Jacob Renner, patriarca da família e fundador da varejista, que atualmente possui controle pulverizado no mercado de ações. Apesar da origem comum, o banco e a empresa de varejo não mantêm mais qualquer vínculo societário.
Ao longo dos anos, a instituição passou por mudanças de estrutura e identidade. Em 2020, o Banco Renner passou a se chamar Banco Digimais, período em que o bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, assumiu o controle da instituição com autorização do Banco Central. Ele já era detentor de participação relevante no banco antes da mudança.
A trajetória do nome também foi alvo de disputa judicial. Em 2017, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a Lojas Renner não precisaria indenizar o banco pelo uso da marca, mas ficou impedida de utilizá-la em produtos financeiros. Posteriormente, em 2024, a varejista adquiriu, por meio da instituição Realize, os direitos de uso das marcas ligadas ao antigo Banco Renner, em uma negociação avaliada em cerca de R$ 35 milhões.
Nos últimos meses, o Banco Digimais esteve envolvido em tratativas de venda ao BTG Pactual, que dependiam de aprovações regulatórias e do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), além de aval do Banco Central.
A instituição voltou ao centro das atenções após a Polícia Federal deflagrar a Operação Miragem, que investiga um suposto esquema fraudulento envolvendo a gestão do banco. A operação inclui mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de bens que pode chegar a R$ 670 milhões, segundo decisão da Justiça Federal em São Paulo.