Geração Z: maioria dos jovens empregados está na informalidade e troca de trabalho em até um ano

Diagnóstico do Ministério do Trabalho e Emprego mostra que mais da metade (52%) dos adolescentes que trabalham fica menos de um ano no mesmo emprego e 12% ficam menos de um mês

25 jun 2026 - 12h50

A juventude brasileira ampliou a presença no mercado de trabalho e nos empregos formais, mas o maior desafio estrutural deixou de ser abrir vagas e passou a ser manter o jovem estudando e trabalhando, segundo diagnóstico feito pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

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Segundo o órgão, há 32,9 milhões de pessoas com idade entre 14 e 24 anos no Brasil (15,4% da população), que integram, em grande parte, a chamada geração Z (nascidos entre 1997 e 2012). Desse total, 13,9 milhões estão ocupadas — 12,5 milhões entre 18 e 24 anos e 1,4 milhão entre 14 e 17. Ao mesmo tempo, 6,2 milhões (18,7%) estão fora da escola e do trabalho. Este grupo aumentou em 12,7% no primeiro trimestre em relação aos últimos três meses de 2025, e é classificado como o de maior risco social.

Segundo diagnóstico, 57,8% dos jovens ocupados têm vínculo formal
Segundo diagnóstico, 57,8% dos jovens ocupados têm vínculo formal
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Estadão

A fotografia mostra que a maioria se dedica exclusivamente aos estudos: 12,8 milhões (39%) só estudam, 9,6 milhões só trabalham (29,1%) e outros 4,3 milhões (13,2%) estudam e trabalham. Somados, são 17 milhões (52%) ainda na escola. O levantamento também indica uma juventude mais escolarizada: 73% têm ao menos o ensino médio, 2,3 milhões frequentam o ensino superior e 944 mil já concluíram a graduação.

A entrada no mercado de trabalho melhorou, mas segue mais difícil para quem começa. A taxa de desemprego no primeiro trimestre de 2026 foi de 13,8% entre jovens de 18 a 24 anos — mais que o dobro da média nacional (5,8%) — e de 25,1% entre adolescentes de 14 a 17. Em números absolutos, há 2,7 milhões de jovens de 18 a 24 anos e 586 mil adolescentes desempregados. Ainda assim, o total de jovens ocupados superou o nível pré-pandemia: são 569 mil a mais que no primeiro trimestre de 2019.

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A melhora na qualidade do vínculo aparece na formalização: 57,8% dos jovens ocupados têm vínculo formal, e a RAIS 2025 registra 8 milhões de vínculos formais entre 14 e 24 anos. A informalidade recuou, mas permanece elevada entre adolescentes ocupados (72,8%), além de persistir acima da média no Norte e no Nordeste.

O diagnóstico aponta que a permanência é o gargalo. Mais da metade (52%) dos adolescentes que trabalham fica menos de um ano no mesmo emprego; 12% ficam menos de um mês. Entre os jovens de 18 e 24 anos, o porcentual dos que permanecem menos de um ano no emprego é de 38,2%, contra 25,3% na faixa de 25 a 29.

A rotatividade é sustentada por um perfil de ocupação pouco qualificado: 11,6 milhões (84%) estão em funções generalistas, sem exigência de formação específica, e 7,8 milhões recebem até 1,5 salário mínimo — sendo 2,7 milhões com rendimento de até um salário mínimo. As vagas se concentram em comércio e serviços, como balconistas/vendedores (1,24 milhão) e escriturários gerais (1,07 milhão).

As "pontes" formais entre escola e trabalho — aprendizagem e estágio — também exibem limites. Em março de 2026, o Brasil tinha 708 mil aprendizes (471 mil de 14 a 17 anos e 244 mil de 18 a 24), com 53% de meninas; apenas 4.303 aprendizes são pessoas com deficiência.

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A aprendizagem se concentra no Sudeste (341 mil) e no Sul (145 mil), com São Paulo sozinho somando 196 mil. Mesmo em um programa regulado, persiste desigualdade racial na remuneração: aprendizes homens brancos recebem, em média, R$ 991, contra R$ 911 entre pardos e R$ 886 entre indígenas. Negros recebem em média R$ 931.

Já o estágio reúne 1,77 milhão de pessoas (abril de 2026), majoritariamente não obrigatório (86%), mas com fragilidade de registro: em 35% dos casos (628 mil) a ocupação não foi informada.

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