A revisão tarifária das usinas nucleares Angra 1 e 2 para 2026 proporcionará um reforço de caixa de aproximadamente R$140 milhões, melhorando a sustentabilidade financeira e a previsibilidade para a manutenção das operações, disse a Eletronuclear nesta terça-feira.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou na semana passada uma receita fixa de R$4,81 bilhões para as usinas Angra 1 e 2, o que representa um aumento de 17,09% em relação à receita vigente no ano passado.
De acordo com a Eletronuclear, estatal responsável pelas unidades nucleares, a análise também corrigiu um "erro material da última revisão de 2023/2024, que havia impactado de forma equivocada" sua remuneração.
"Com o ajuste tarifário recentemente homologado pela Aneel, a empresa terá um reforço de caixa de aproximadamente R$140 milhões já em 2026. Isso demonstra o compromisso da agência reguladora com a precisão técnica e com a adequada remuneração dos ativos essenciais ao sistema elétrico nacional", disse a Eletronuclear.
O Ministério de Minas e Energia alertou no ano passado que a estatal nuclear enfrenta um desequilíbrio financeiro e corre risco de insolvência. De acordo com a pasta, a empresa tem dificuldades para manter compromissos associados a despesas com Angra 3 e honrar obrigações financeiras junto a bancos.
Um dos pontos que pesavam negativamente para a empresa era a cobertura tarifária de suas usinas, antes considerada insuficiente para arcar com todos os custos.
Na nota, a Eletronuclear destacou ainda que a parcela da tarifa relativa ao Fundo de Descomissionamento (FDES) -- uma obrigação regulatória compulsória para a empresa -- foi zerada, "representando um ganho real para o consumidor final".
"Essa decisão da Aneel confirma o posicionamento que a Eletronuclear vem reiterando publicamente: o fundo está superavitário e não necessita de novos depósitos para atingir sua meta financeira", disse o presidente interino da Eletronuclear, Alexandre Caporal.