Dólar acompanha exterior e tem leve queda em sessão de liquidez reduzida

20 nov 2023 - 09h13
(atualizado às 10h01)

O dólar à vista recuava ligeiramente frente ao real nesta segunda-feira, em sessão de liquidez reduzida devido a feriado nos principais centros financeiros do país, enquanto o clima no exterior era desfavorável à divisa norte-americana em meio a apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve.

Às 9:54 (horário de Brasília), o dólar à vista recuava 0,14%, a 4,8987 reais na venda. Na B3, às 9:54 (horário de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,23%, a 4,9030 reais.

Publicidade

Participantes do mercado alertavam para uma sessão possivelmente volátil diante da liquidez reduzida, devido ao feriado do Dia da Consciência Negra em seis estados brasileiros, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro.

Enquanto isso, operadores monitoravam a fraqueza da divisa norte-americana no exterior, onde o índice do dólar contra uma cesta de moedas fortes caía 0,33%, mantendo tendência de baixa recente que acompanhou arrefecimento dos rendimentos dos Treasuries, os títulos do governo dos EUA.

"A queda resultante das taxas dos Estados Unidos e a fuga dos portos seguros para os ativos de risco abalaram o dólar", disse Eduardo Moutinho, analista de mercado da Ebury. "Os mercados já eliminaram qualquer chance de aumentos adicionais por parte do Fed, e agora esperam que o primeiro corte nas taxas de juros ocorra em maio de 2024."

Os mercados descartaram o risco de novos aumentos de juros por parte do Fed após uma série de indicadores econômicos norte-americanos mais fracos do que o esperado na semana passada, especialmente após uma leitura de inflação que ficou abaixo das estimativas.

Publicidade

Num geral, quanto mais altos os custos dos empréstimos nos EUA, mais o dólar tende a se beneficiar globalmente, uma vez que investidores passam a mostrar maior interesse pelo mercado de renda fixa norte-americano, o mais seguro do mundo. Por outro lado, juros mais baixos por lá favorecem divisas de países com retornos mais elevados, como o Brasil.

Enquanto isso, na cena doméstica, "o debate sobre a meta fiscal de 2024 deve continuar gerando ruído sobre o mercado de câmbio, embora acreditemos que estes já tenham sido parcialmente digeridos", disse Moutinho, referindo-se a críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao objetivo estabelecido por sua equipe econômica de zerar o déficit primário no ano que vem.

Parte do governo e parlamentares chegaram a defender um afrouxamento do alvo com menções a possíveis metas de déficit de 0,25% ou 0,50% do PIB para o ano. Nos últimos dias, porém, membros do governo afirmaram que a meta de déficit zero em 2024 não será alterada, enfatizando a defesa pela aprovação de medidas que ampliem a arrecadação.

"Vemos espaço para o real continuar com a performance, com um ambiente mais construtivo para os eventos de risco (no exterior) nos próximos dias", completou Moutinho.

Publicidade

O dólar à vista fechou a última sessão cotado a 4,9056 reais na venda, em alta de 0,72%.

Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
TAGS
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se