O dólar segue em baixa nesta terça-feira, em sintonia com o recuo da moeda norte-americana ante divisas pares do real no exterior, com investidores no Brasil digerindo a publicação da ata do último encontro do Copom e declarações dadas mais cedo pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Às 9h08 o dólar à vista caía 0,39%, aos R$5,2370 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para março -- atualmente o mais líquido no Brasil - cedia 0,45%, aos R$5,2680.
A sessão até o momento é marcada pela queda quase generalizada do dólar ante as divisas de emergentes e exportadores de commodities, como a rupia indiana, o rand sul-africano, o peso chileno e o peso mexicano.
"A terça-feira teve inicio com o dólar novamente perdendo valor frente às moedas emergentes, em um ambiente com leve tendência de apetite por ativos de risco", resumiu Marcio Riauba, head da Mesa de Operações da StoneX Banco de Câmbio, em comentário escrito.
No Brasil, o câmbio acompanha esta tendência e o dólar se mantém em baixa ante o real com a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e Haddad no radar dos investidores.
Na ata, divulgada antes da abertura do mercado, o Copom defendeu que a magnitude e a duração do ciclo de cortes da Selic serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às análises.
Na semana passada, o Copom manteve a Selic em 15% ao ano, indicando a intenção de iniciar o ciclo de cortes em março. Entre os investidores, a principal dúvida é se o primeiro corte será de 25 ou de 50 pontos-base.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos -- cuja taxa de referência hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% -- vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações do dólar a patamares mais baixos nos últimos meses.
Já Haddad afirmou em entrevista à BandNews FM que levou à consideração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva os nomes dos economistas Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti para assumirem as duas diretorias vagas do Banco Central -- a de Política Econômica e a de Organização do Sistema Financeiro e Resolução.
O nome de Mello, atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, já vinha circulando nos últimos dias. Na segunda-feira, a possibilidade de o economista ocupar a Diretoria de Política Econômica se traduziu na alta das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros).
Segundo Haddad, porém, Lula não fez nenhum convite até o momento.
Na segunda-feira, o dólar fechou cotado a R$5,2577, em alta de 0,18%.
Às 11h30 o Banco Central realiza leilão de 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de março.
(Edição de Camila Moreira)