O dólar fechou a terça-feira em alta contra o real, em dia de aversão ao risco no exterior diante de novas tensões no Oriente Médio e de cautela na véspera da publicação da ata da mais recente reunião de política monetária do Federal Reserve.
O dólar à vista fechou em alta de 0,44%, aos R$5,2229 na venda.
Às 17h54, o contrato de dólar futuro para setembro -- atualmente o mais negociado no Brasil -- subia 0,29% na B3, aos R$5,2375.
No exterior, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,13%, a 99,663 por volta das 17h50, e a divisa norte-americana mostrava ganhos em relação a moedas pares do real brasileiro, como o peso chileno e o peso mexicano.
O noticiário geopolítico esteve no radar durante a sessão, depois que o Irã afirmou que adotará uma postura militar "totalmente ofensiva", uma vez que os esforços para negociar um fim definitivo à guerra com os Estados Unidos estagnaram, disse uma autoridade iraniana de alto escalão à Reuters.
Os temores em relação ao Oriente Médio se somaram ao sentimento de cautela antes da divulgação da ata do Fed na quarta-feira, que poderá trazer mais indícios sobre a trajetória dos juros nos EUA.
Dados das últimas semanas, incluindo perdas inesperadas de empregos no mês passado e índices de inflação moderados, apontam para uma economia americana mais fraca, levando os investidores a reduzirem as expectativas de um aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve dos EUA. Ainda assim, os analistas permanecem cautelosos quanto à possível trajetória da inflação, com o Estreito de Ormuz ainda praticamente fechado e o conflito entre os EUA e o Irã em ebulição.
No plano doméstico, o início da campanha eleitoral gera pressão negativa adicional sobre o real, afastando investidores estrangeiros do país, movimento que já vinha sendo observado na última semana.
"Estamos em período pré-eleição. Isso já traz muita volatilidade. Mas o principal fator da semana é a divulgação da ata do Fed, e ainda temos a escalada das tensões no Oriente Médio", disse Matheus Massote, especialista em câmbio da One Investimentos.