O C6 Bank sustentou o ritmo de expansão anual do lucro no primeiro semestre deste ano, à medida que avança principalmente nas carteiras de crédito consignado e financiamento de veículos. A deterioração do cenário macro, no entanto, impulsionou as despesas com provisões contra calotes e contribuiu para a redução da rentabilidade, ainda em níveis bem superiores ao dos rivais.
O banco, que tem o J.P. Morgan Chase como sócio, registrou lucro líquido de R$ 1,3 bilhão nos seis primeiros meses de 2026, um crescimento de 20% em relação a igual período do ano passado, segundo balanço divulgado nesta terça-feira, 18. O resultado produziu um retorno sobre o patrimônio (ROAE) de 38%, uma queda de 5 pontos porcentuais na comparação anual.
A receita líquida somou R$ 6,268 bilhões no período, avanço anual 48%, enquanto as despesas operacionais ficaram em R$ 2,611 bilhões, alta de 33%. Com isso, o índice de eficiência, que mede a relação entre despesas operacionais e receita líquida, atingiu em 42%, ante 46% um ano antes - neste caso, quanto menor o indicador, mais eficiente é a organização.
"O balanço traz boas notícias principalmente no crescimento das receitas, da carteira de crédito e com os custos controlados", afirma o CEO do C6 Bank, Marcelo Kalim, em entrevista ao Estadão/Broadcast. "A notícia não tão boa é o aumento do custo do crédito", reconhece.
A inadimplência fechou junho em 3,6%
No semestre, o banco constituiu R$ 2,372 bilhões em despesas de provisões para devedores duvidosos (PDD), o que representa um salto de 138% ante o período equivalente de 2025. A inadimplência fechou junho em 3,6%, de 3,2% um ano antes, pelo critério de atrasos superiores a 90 dias. Sem os efeitos da Resolução CMN nº 4.966, o indicador teria avançado de 2,1% para 2,6%.
Segundo Kalim, parte do aumento reflete a entrada no mercado de consignado privado, que exige provisionamento maior. "Fora isso, a provisão subiu também pela natureza mais desafiadora da economia como um todo. Nós já esperávamos que isso fosse acontecer, com os juros reais mais altos e renda das famílias já bastante comprometida, mas subiu um pouco mais do que imaginávamos", admitiu.
Apesar disso, o executivo vê espaço para um segundo semestre melhor, diante de fatores sazonáveis. Para ele, o RoE deve terminar o ano acima das faixa dos 40%, bem acima de pares. Com R$ 171 bilhões em ativos, a instituição financeira foi elevada da categoria S3 para S2 na escala de classificação do Banco Central. Ainda assim, opera com cerca de 4,2 mil colabores, bem abaixo dos concorrentes. "Essa magnitude faz com que o nosso custo seja bastante menor, o que possibilita um RoE maior", disse.
Qual é a expectativa de crédito para o 2º semestre?
A carteira de crédito expandida do C6 Bank atingiu R$ 99,8 bilhões em junho, uma alta de 38% no confronto com o mesmo mês de 2025. A maioria das operações (82%) conta com garantia, com destaque para financiamento de veículos e consignado privado.
De acordo com Kalim, o banco já vinha adotando uma postura mais restritiva há alguns anos, mas apertou um pouco mais no começo deste ano. "O reflexo disso no crédito será o mesmo ou um pouco mais brando no segundo semestre, por causa dessa questão sazonal", projeta.
O CEO também demonstra apetite para continuar avançando no consignado privado, apesar dos desafios operacionais que marcaram a primeira etapa do programa do Crédito ao Trabalhador. O mercado espera maior clareza na implementação das garantias do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e na portabilidade entre empregos. "A parte operacional ainda precisa ser bastante melhorada. Melhorou um terço, ainda tem dois terços para melhorar", ressalta. "Mas a gente continua crescendo nesse mercado", pondera.
Neste cenário, as captações totais do banco alcançaram R$ 125,6 bilhões no primeiro semestre, aumento de 34% no confronto anual. Os depósitos à vista cresceram 24%, a R$ 12,762 bilhões, enquanto as captações a prazo subiram 36%, a R$ 112,850 bilhões. O índice de Basileia, que mede a solidez do ponto de vista do capital, atingiu 12,6%, de 13,7% um ano antes. O índice de Nível 1, de melhor qualidade, passou de 10% a 9,3% no período.