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Demitidos das Casas Bahia relatam surpresa e emoção após fechamento de lojas: ‘Foi daqui que tirei o meu sustento'

Varejista entrou em recuperação judicial, fechou 298 unidades e desligou cerca de 1,9 mil trabalhadores

17 ago 2026 - 11h32
(atualizado às 12h23)
Demitido das Casas Bahia se emociona após fechamento de lojas: ‘Foi daqui que tirei meu sustento’
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As demissões anunciadas pelas Casas Bahia após o fechamento de 298 lojas levaram funcionários com anos de trajetória na empresa a recorrer às redes sociais para relatar a surpresa e se despedir de colegas e clientes. Um dos relatos que ganhou repercussão foi o de Edson Silva, de Ponta Porã (MS), que trabalhava havia 21 anos na mesma unidade da varejista e afirmou ter sido demitido após participar de uma reunião na sexta-feira, 14.

“Pensa numa notícia triste para mim. Foram 21 anos de Casas Bahia, e receber essa notícia não é fácil”, afirmou Silva em publicação no Instagram. Ainda no vídeo, ele destacou a importância do emprego para sua trajetória pessoal. “Foi daqui que tirei o meu sustento, foi daqui que criei meus filhos, foi daqui que formei minha família”, disse.

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Edson Silva, ex-funcionário da Casas Bahia de de Ponta Porã (MS)
Edson Silva, ex-funcionário da Casas Bahia de de Ponta Porã (MS)
Foto: Reprodução/Instagram

Silva também publicou uma mensagem de despedida aos colegas e clientes.“Meu muito obrigado a cada cliente que confiou em mim, a cada amigo, colega e parceiro que esteve comigo nessa caminhada. Vocês fizeram esses 21 anos valerem a pena!”.

Entre quinta-feira e sexta-feira, cerca de 1,9 mil trabalhadores foram desligados pela varejista. Outros funcionários também utilizaram as redes sociais para compartilhar relatos sobre as demissões e se despedir de colegas e clientes.

"Hoje encerro um ciclo muito especial da minha vida. Foram quase 23 anos de Casas Bahia, uma história que vai muito além do trabalho: foram aprendizados, desafios, conquistas, amizades e muitos momentos que levarei para sempre comigo", escreveu no Linkedin a supervisora de mesa de crédito demitida, Edilena Velozo Almeida.

Na sexta, o Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região (SECOR) manifestou preocupação com o fechamento repentino de unidades da rede na região metropolitana de São Paulo. Em comunicado, a entidade afirmou que os funcionários foram pegos de surpresa diante da interrupção das operações e que já estava adotando medidas para garantir que todos os direitos trabalhistas dos empregados fossem integralmente respeitados.

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Recuperação judicial

As demissões e o fechamento das unidades ocorrem em meio à crise financeira enfrentada pelo Grupo Casas Bahia, que entrou com pedido de recuperação judicial no domingo, 16, no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo.

Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia afirmou que a medida ocorre diante da deterioração das condições econômico-financeiras e citou, entre os fatores que agravaram o cenário, as taxas de juros elevadas, a restrição de crédito, o aumento do custo financeiro e a pressão sobre o consumo e o capital de giro.

A empresa registrou prejuízo líquido contábil de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre. Cerca de R$ 9,1 bilhões desse resultado estão relacionados a efeitos não recorrentes, como impostos diferidos, contingências contratuais, baixa de ágio e despesas de reestruturação. O prejuízo ajustado foi de R$ 978 milhões, alta de 76,2% em relação ao mesmo período de 2025.

A Casas Bahia informou ainda que possui R$ 17,3 bilhões em obrigações. No fim do segundo trimestre, a dívida líquida era de R$ 1,2 bilhão e o patrimônio líquido estava negativo em R$ 8,2 bilhões.

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Apesar das dificuldades, a receita líquida da companhia cresceu 1,6% no segundo trimestre, para R$ 6,98 bilhões. O volume bruto de mercadorias vendido avançou 0,5%, chegando a R$ 10,51 bilhões. Nas lojas físicas, porém, o indicador caiu 3,2%, para R$ 6,08 bilhões.

A companhia afirmou que pretende manter as operações durante o processo de recuperação judicial e priorizar os canais digitais, além de redimensionar investimentos, reduzir estoques e avaliar a venda de ativos para ampliar a liquidez.

O pedido de recuperação judicial também envolve outras empresas do grupo, entre elas ASAP Log - Logística e Soluções, CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística, Globex Administração e Serviços, Cnova Comércio Eletrônico, Casas Bahia Tecnologia e Indústria de Móveis Bartira.

Fonte: Portal Terra
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