'Diversificação de investimentos globais está muito longe de terminar', diz Stuhlberger

Durante evento, gestor também falou dos efeitos do aumento dos gastos públicos na economia; ele calcula que seria preciso elevar a carga tributária em 0,3% do PIB por ano para manter alta de 5% ao ano de gasto

10 fev 2026 - 18h59

Os gestores Luis Stuhlberger, da Verde Asset, e Rogerio Xavier, da SPX Capital, apostam na continuidade do cenário de diversificação das carteiras globais, com investidores aceitando maior risco e direcionando novos fluxos para fora dos Estados Unidos.

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Durante painel no CEO Conference, conferência do BTG, Stuhlberger, que é sócio-fundador da Verde Asset, lembrou que o movimento de diversificação começou em 2022, com confisco de dinheiro da Rússia, e seguiu por preocupações com a dívida americana.

Ele pontuou que estrangeiros detêm US$ 38 trilhões em ativos americanos, de modo que qualquer movimentação de 1% ou 2% desses recursos representa um grande fluxo em direção a outros mercados.

Stuhlberger diz ter certa preocupação com as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, citando levantamentos que apontam 38% de chance de o presidente Donald Trump perder o controle do Senado. "Se perder o Senado, imagina o que serão os últimos dois anos dele."

Luis Stuhlberger diz que estrangeiros detêm US$ 38 trilhões em ativos americanos; qualquer movimentação de 1% ou 2% desses recursos representa um grande fluxo em direção a outros mercados
Luis Stuhlberger diz que estrangeiros detêm US$ 38 trilhões em ativos americanos; qualquer movimentação de 1% ou 2% desses recursos representa um grande fluxo em direção a outros mercados
Foto: Divulgação/Verde / Estadão

Mesmo assim, o gestor da Verde Asset considera ainda ser positivo ficar posicionado na diversificação. "Movimento está muito longe de terminar", avaliou.

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Para Rogerio Xavier, sócio-fundador da SPX Capital, se o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) continuar cortando juros, como ele prevê, os mercados vão continuar mostrando bom desempenho. Além disso, o gestor entende que houve um distensionamento dos conflitos geopolíticos, já que acordos com o governo americano levaram à redução de tarifas comerciais.

O exagero dos investimentos em inteligência artificial, que torna o retorno sobre investimento muito duvidoso, é uma questão a "ser contada depois", disse Xavier. "O cenário agora é do amante do risco, não de aversão ao risco", comentou o sócio da SPX.

Gastos públicos

Durante o evento Luís Stuhlberger também falou do aumento dos gastos público e os efeitos na economia. Ele calcula que seria preciso elevar a carga tributária em 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) por ano para manter um gasto público subindo a 5% ao ano e com dívida aumentando 3 pontos.

"Isso dá R$ 40 bilhões de impostos. É o que foi feito nesses quatro anos (de governo Lula), R$ 140 bilhões de impostos. Qual o limite para isso? Quanto a sociedade vai aguentar nos próximos quatro anos de aumento?", pondera ele, após mencionar, contudo, que o mercado tende a dar o benefício da dúvida sempre no início de um novo governo, mesmo em eventual reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Problema talvez não aconteça de imediato", afirma.

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Ainda assim, o sócio-fundador da Verde afirma que, numa eleição que só deve ser definida na reta final, não há motivo para ficar bear (pessimista) em relação ao Brasil.

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