O presidente da CNA, João Martins, alertou que o descontrole dos gastos públicos eleva a dívida e mantém os juros em níveis que inviabilizam investimentos. Segundo ele, o ajuste fiscal é urgente para proteger empregos e empresas, inclusive o agronegócio, que já sofre com endividamento. Martins criticou a atuação do governo sobre as taxas reais e defendeu que a responsabilidade fiscal e o crescimento econômico sejam temas prioritários e centrais no próximo debate eleitoral.
O descontrole dos gastos públicos tem elevado a dívida e pressionado os juros para níveis incompatíveis com o investimento e o funcionamento da economia privada, disse nesta terça-feira, 25, o presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), João Martins. Para ele, o ajuste das contas públicas deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade para preservar empresas, empregos e capacidade produtiva.
As declarações foram feitas durante o evento "Agenda Brasil - Crescimento, Emprego e Competitividade", realizado pela CNA em parceria com o Estadão e curadoria da Broadcast, que está sendo realizado nesta terça-feira em São Paulo. O objetivo do encontro é "estimular a discussão de propostas econômicas e de políticas públicas", disse o executivo.
O presidente da CNA defendeu que a responsabilidade fiscal seja um dos temas centrais do debate eleitoral de 2026. "Precisamos eleger um governo responsável e comprometido com o futuro. O ajuste das contas do governo não é mais uma escolha, é uma necessidade brasileira", afirmou.
Martins disse ainda que ações e omissões do governo contribuíram para manter os juros reais brasileiros em patamar elevado. "A ação e a omissão do governo estão envenenando o País com os maiores juros reais de todo o mundo", afirmou.
Endividamento no agro
O agronegócio brasileiro, que durante anos conseguiu manter desempenho mais favorável do que outros setores da economia, também passou a enfrentar uma crise de endividamento, disse Martins na abertura do evento. Para ele, o quadro reforça a necessidade de colocar crescimento, emprego e responsabilidade fiscal no centro do debate eleitoral deste ano. "O próprio agro, que foi durante um tempo uma ilha de prosperidade, está às voltas com a crise de endividamento", afirmou.
Martins associou o quadro do setor ao ambiente econômico mais amplo, marcado, segundo ele, por dívida pública crescente, juros elevados e maior dificuldade financeira para empresas e famílias. Ele afirmou que o País vive uma situação em que seu potencial econômico contrasta com a renda de grande parte da população.
"Vivemos entre a abundância potencial e a privação efetiva", disse. Segundo Martins, estudos recentes indicam que 70% da população empregada recebe até dois salários mínimos e cerca de 30 milhões de famílias dependem de transferência de renda do Estado para sua subsistência.
Às vésperas das eleições gerais, o presidente da CNA avaliou que o debate público ainda não apresenta propostas suficientes para enfrentar esses problemas. "Seria a oportunidade perfeita para um debate aberto e franco sobre os nossos problemas e oportunidades", afirmou. "Para nossa perplexidade, estamos longe disso."