A definição pela equipe econômica do governo de conceder uma subvenção de R$0,44 por litro de gasolina abre caminho para a Petrobras realizar um reajuste no combustível sem gerar impactos relevantes para consumidores, disseram duas fontes com conhecimento do assunto.
As pessoas comentaram o anúncio feito nesta sexta-feira pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, sobre o valor da subvenção estabelecida para mitigar impactos da guerra no Irã sobre as cotações internacionais do petróleo e derivados, que dispararam e deixaram a gasolina da Petrobras com defasagem de cerca de R$1,65, ou 66%, segundo cálculos da associação de importadores de combustíveis Abicom.
A gasolina da Petrobras não tem uma alta de preços para as distribuidoras desde julho de 2024.
"Era isso (a definição da subvenção) que estava faltando para o ajuste", disse uma das pessoas próximas das discussões sobre os preços da empresa.
"Foi bom definir o valor, porque o cinto estava apertando", acrescentou a fonte, na condição de anonimato.
As fontes não falaram quando poderia ser realizado o reajuste pela Petrobras, enquanto o ministro disse que ainda precisa confirmar a decisão sobre o valor com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Procurada, a Petrobras não comentou o assunto imediatamente.
O governo já havia previsto que a subvenção à gasolina ficaria entre R$0,40 e R$0,45. Para Moretti, o patamar de R$0,44 é suficiente para compensar eventuais impactos da guerra no Irã.
A Petrobras responde por cerca de 80% da oferta nacional de gasolina, enquanto a oferta é complementada por importações e pela produção de refinarias privadas. Sem os preços alinhados com o mercado global, tais importações ficam inviabilizadas economicamente.
"Quarenta e quatro centavos fica bom para Petrobras e dá fôlego", disse uma segunda fonte.
Pelo esquema anunciado do subsídio, as empresas continuarão recolhendo os impostos sobre o combustível e depois serão ressarcidas, em um modelo que o governo classifica como "cashback".
Assim, a cotação da gasolina da Petrobras para as distribuidoras, após um eventual reajuste, ficaria em um nível que considere a subvenção, amortecendo o impacto.
Em meados de maio, o governo havia anunciado medida provisória com novas ações para reduzir a pressão da guerra sobre os combustíveis no Brasil, incluindo a gasolina e estendendo um plano de subsídio do diesel, uma vez que busca minimizar impactos inflacionários especialmente em um ano de eleições.
Em entrevista coletiva para comentar as novas projeções do governo para as contas públicas, Moretti afirmou nesta sexta-feira que o custo da medida é estimado em R$1,2 bilhão por mês, tendo validade inicial de dois meses.
Moretti disse ainda que, após a definição final junto com o presidente, a subvenção será efetivada por meio de um ato infralegal do Ministério da Fazenda.