Transformar um festival de música em um centro de triagem de resíduos em tempo real. A proposta é da Coca-Cola, que por meio da sua envasadora — a Solar Coca-Cola — adotará um formato de "patrocínio sustentável" à 25ª edição do Festival de Verão de Salvador, na Bahia.
A empresa assumirá toda a gestão de resíduos do evento, com a expectativa de arrecadar mais de nove toneladas de materiais, com parte do volume destinada à produção de novas embalagens.
Durante o tradicional evento pré-carnaval, que ocorrerá no sábado, 24, e no domingo, 25, a empresa instalará uma "tenda sustentável" do projeto Recicla Solar em meio à arena do festival, com previsão de receber mais de 30 mil pessoas por dia. A estrutura de coleta e processamento terá suporte de profissionais da Camapet, cooperativa de coleta seletiva sediada na capital baiana.
Em entrevista ao Estadão, a coordenadora de Sustentabilidade da Solar Coca-Cola, Alana Barros, explica que, na prática, a ideia de "patrocínio sustentável" vai além da visibilidade das marcas e das experiências de branding (ações de marketing), estabelecendo uma parceria com o evento que reforça o compromisso com a economia circular e com o operacional do festival.
"(Queremos) garantir que os resíduos produzidos na festa não virem lixo, mas sim matéria-prima, retornando para a cadeia da economia circular. Para além de um patrocínio, queremos deixar um legado de responsabilidade econômica, social e ambiental nesta edição de 2026, e contribuir para um evento sustentável que possa inspirar o setor. "
Formato de coleta
A recolha dos materiais será feita tanto a partir dos resíduos descartados ao longo da arena quanto por meio da entrega voluntária do público, que poderá trocar embalagens de plástico e latas de alumínio por brindes. Também está prevista a coleta de outros resíduos sólidos, como isopor e vidro.
Segundo a Coca-Cola, o público participante deverá passar pela dinâmica "Meu FV (Festival de Verão) Sem Resíduos", que gera pontos aos que levarem seus resíduos plásticos para a coleta. Os pontos acumulados poderão ser trocados por refrigerantes da marca e copos retornáveis.
A previsão é de que todo o material seja reinserido na cadeia produtiva, com destinação adequada para cada tipo de resíduo. No caso das garrafas PET, o material deve ser comprado pela Solar Coca-Cola, após processamento e transformação em resina reciclada, para retorno às fábricas com foco na produção de novas embalagens. Os demais materiais coletados seguirão para empresas parceiras.
A estratégia, que entra pelo quarto ano consecutivo no Festival de Verão, não acontece na Bahia de forma aleatória, frisa Barros. "A Bahia é um Estado de extrema importância estratégica para a Solar, sendo um dos primeiros a receber o Recicla Solar e onde já alcançamos a marca histórica de 100% de neutralidade de PET", reforça.
A Solar Coca-Cola possui 10 unidades no Estado, entre fábricas, centros de venda e de distribuição.
"(O festival) é o cenário ideal para engajar o consumidor baiano, que já é um parceiro nessa jornada, e reforçar que o nosso compromisso com o Estado vai muito além da operação industrial. Ele passa por promover impacto positivo, tanto como motor econômico, quanto como agente de transformação social e ambiental para a Bahia."
Para além da Bahia
Além da Bahia, projetos ligados ao Recicla Solar estão presentes em mais 12 Estados, no Nordeste, no Norte e no Centro-Oeste, com histórico de parceria com eventos populares locais. Segundo Barros, modelos semelhantes ao adotado no Festival de Verão de Salvador já foram replicados em festas como o Festival de Parintins, no Amazonas, e o Carnaval de Olinda, em Pernambuco, no ano passado.
O previsto é que mais eventos sejam contemplados. "A nossa estratégia é adaptar a logística para a realidade de cada território, mas mantendo sempre a nossa participação por meio do Recicla Solar, apoiando agentes de reciclagem e cooperativas locais onde quer que estejamos."