O calor extremo e a seca custaram ao menos 36 bilhões de euros (R$ 215 bilhões) à Alemanha, equivalente a 0,9% do PIB do país, segundo o Greenpeace. Os principais prejuízos envolveram a queda de produtividade no trabalho, danos florestais por incêndios, impactos na saúde, quebras na agricultura e problemas no transporte fluvial pela seca dos rios. Além do impacto financeiro, as altas temperaturas causaram 14 mil mortes no país entre abril e agosto.
Valor foi calculado com base nos danos decorrentes de perdas de colheitas, incêndios florestais e custos de saúde e educacionais, além de perdas de produtividade causadas pelas altas temperaturas em 2026.O calor extremo e a seca registrada neste verão custaram à Alemanha ao menos 36 bilhões de euros, cerca de R$ 215 bilhões, afirmou nesta segunda-feira (24/08) a organização ambiental Greenpeace. As perdas causadas pelo clima equivalem a aproximadamente 0,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do país europeu.
O valor foi calculado com base nos danos decorrentes de perdas de colheitas, incêndios florestais e custos de saúde e educacionais, além de perdas de produtividade causadas pelo calor.
"Este verão de calor e seca foi uma catástrofe para milhões de pessoas e para a economia. Embora esse desastre natural não tenha deixado pilhas de entulhos, a escala dos danos é assustadora", ressaltou o especialista financeiro do Greenpeace, Mauricio Vargas.
O especialista pediu ao governo alemão que responda à crise climática "com a seriedade que ela exige". "Os números são inequívocos: simplesmente não podemos mais nos permitir continuar como antes", afirmou.
A Alemanha não escapou dos efeitos do verão extremo da Europa. O recorde histórico de temperatura do país foi quebrado por três dias consecutivos em junho, chegando a 41,7 °C no estado de Brandemburgo, enquanto vários grandes incêndios florestais atingiram o país nas últimas semanas.
As semanas de seca deverão ainda resultar em colheitas significativamente menores em algumas regiões do país. O transporte fluvial de carga precisou ser suspenso em alguns trechos devido ao nível extremamente baixo de rios importantes, como o Reno. Indústrias que dependem de grandes quantidades de matérias‑primas e produtos intermediários foram particularmente afetadas, entre elas as químicas, siderúrgica e de óleo mineral.
Queda na produtividade
De acordo com o Greenpeace, o maior dano calculado foi a queda de produtividade e horas de trabalho perdidas devido às temperaturas elevadas, cuja perda chegou a 10,8 bilhões de euros.
O dano florestal ficou em segundo lugar, estimado entre 5 bilhões e 7,5 bilhões de euros, enquanto as perdas relacionadas à saúde chegaram a 6,9 bilhões de euros. A agricultura, o transporte interno de carga e a educação também foram significativamente afetados, segundo a organização.
O Greenpeace destacou que algumas consequências graves ainda não podem ser calculadas, incluindo os efeitos no sistema de energia devido à falta de água para resfriamento e o aumento da poluição por partículas finas. Há ainda danos que não puderam ser quantificados, como os efeitos colaterais dos incêndios florestais, que vão desde a perda de biodiversidade, passando pela proteção da água potável e contra a erosão, até a regulação do microclima.
"Os custos reais de eventos climáticos extremos como a onda de calor deste verão estão muito acima dos nossos cálculos", afirmou Vargas. "Os investimentos em medidas ambiciosas de proteção climática encolhem a níveis ridículos em comparação."
O Greenpeace ressaltou que os cálculos são apenas uma estimativa. A organização afirmou ter trabalhado "com certas imprecisões na quantificação devido a informações incompletas", mas insistiu que é importante gerar uma estimativa plausível dos danos econômicos provocados pelas altas temperaturas.
Além dos danos econômicos, o calor extremo na Alemanha causou 14 mil mortes entre abril e agosto deste ano, segundo estimativas do Instituto Robert Koch (RKI), entidade do governo responsável pelo monitoramento e controle de doenças.
Em 2026, a Europa Ocidental viveu o seu mês de junho e julho mais quentes já registrados, segundo o Copernicus, serviço de monitoramento climático da União Europeia. A temperatura média na região atingiu 21,62 ºC, superando o recorde anterior de 2022 e ficando 2,79 ºC acima da média observada no período base de 1991 a 2020.
cn (dpa, epd)
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