O Brasil abriu 112.334 vagas formais de trabalho em janeiro, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que previu que a geração de postos em 2026 ficará próxima ao saldo de 1,3 milhão registrado no ano passado.
O resultado de janeiro foi o menor para o mês desde 2023 (+90.102), conforme a série histórica com ajustes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mas veio acima do esperado.
O saldo foi fruto de 2.208.030 admissões e 2.095.696 desligamentos e ficou acima da expectativa de economistas apontada em pesquisa da Reuters de criação líquida de 92.000 vagas.
Dos cinco grupamentos de atividades econômicas, quatro registraram saldos positivos em janeiro: indústria (+54.991 vagas), serviços (+40.525), construção (+50.545) e agropecuária (+23.073). O comércio foi a exceção, com saldo negativo de 56.800 empregos formais em janeiro, em decorrência da sazonalidade pós festas de final de ano, conforme o ministério afirmou em nota.
"Janeiro, no comércio, costumeiramente é negativo", afirmou o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, durante coletiva de imprensa
"Espero que se retome o processo leve e gradual de contratações no comércio", disse, acrescentando que fevereiro já poderá trazer números mais favoráveis.
No acumulado de 12 meses até janeiro, o saldo de novos vínculos de trabalho com carteira assinada é de 1.228.483. Com o resultado de janeiro, o estoque de empregos com vínculos formais no país subiu para 48.577.979.
O salário médio de admissão em janeiro foi de R$2.389,50, o que representa uma alta ante os R$2.312,76 de dezembro, na série sem ajustes. O salário médio de desligamento foi de R$2.417,50 em janeiro, contra R$2.427,27.
Leonardo Costa, economista do ASA, ponderou que o resultado de janeiro aparece, em parte, como "devolução" do desempenho de dezembro, quando foram fechadas 618 mil vagas formais.
"Ainda assim, o emprego formal segue como o segmento mais lento no processo de desaceleração doméstica, sustentando massa de renda e consumo em ambiente de política monetária restritiva", afirmou Costa em nota.
EXPECTATIVA PARA 2026
Marinho afirmou que a expectativa do ministério é de que em 2026 seja gerada uma quantidade de vagas semelhante à vista no ano passado, de quase 1,3 milhão de postos formais, até "com viés de crescimento".
Ele ponderou, contudo, que isso dependerá do ritmo de cortes da taxa básica Selic, hoje em 15% ao ano, pelo Banco Central.
Para o ministro, alguns fenômenos específicos de 2026, como as eleições, vão empurrar a geração de vagas, mesmo com a expectativa de economistas de desaceleração do Produto Interno Bruto frente à alta de 2,3% registrada no ano passado.
"Ano eleitoral sempre gera outros tipos de empregos também, os partidos estão contratando gente", citou, sem se aprofundar.
"(A geração de vagas em 2026) não ficará menor que no ano passado, a não ser que azede as coisas, e o BC entre para segurar novamente os juros. Acredito o contrário, que os juros venham a baixar e que a gente eleve as condições do nível da economia", completou.