Alemanha e França firmaram um acordo para proteger a indústria automotiva europeia diante da concorrência chinesa e de demissões em massa. A proposta conjunta defende maior flexibilidade regulatória na União Europeia, incluindo a revisão da proibição total de motores a combustão para 2035, reduzindo a meta de corte de emissões para 90%. O plano busca desburocratizar o setor, incentivar a produção local e integrar parceiros como o Reino Unido, mas ainda depende de aprovação do bloco.
Acordo entre as duas maiores economias do bloco europeu visa "flexibilidade regulatória" em meio à crescente concorrência de veículos chineses e a ondas de demissões.A Alemanha e a França chegaram a um acordo sobre uma "abordagem conjunta para garantir o futuro da indústria automotiva europeia", com o objetivo de reduzir emissões e diminuir a burocracia, informaram os dois governos nesta sexta-feira (16/10).
O acordo propõe uma nova flexibilização de regras vigentes na União Europeia (UE) voltadas para a sustentabilidade, como o fim de uma futura proibição de veículos com motores à combustão.
A proposta de Berlim e Paris, que poderá moldar a política da UE para o setor automobilístico nos próximos anos, prevê a inclusão do Reino Unido em um mecanismo de compras públicas voltado a fortalecer a indústria.
"Nossa ambição compartilhada é clara: transformar de maneira exitosa nossa indústria automotiva, mantendo, ao mesmo tempo, nossas metas climáticas e garantindo que os carros do futuro sejam produzidos na Europa", diz um comunicado conjunto.
"A França e a Alemanha propõem um pacote abrangente que combina uma trajetória europeia ambiciosa de descarbonização com a flexibilidade regulatória necessária para refletir as diferentes realidades de mercado e condições tecnológicas", diz o texto.
"O pacote também oferece incentivos concretos para investimentos, pesquisa e desenvolvimento, produção europeia e cadeias de suprimentos resilientes."
Setor automobilístico sob forte pressão
As propostas - voltadas principalmente aos formuladores de políticas da UE - buscam fortalecer a indústria automobilística do continente, que tem sofrido forte pressão devido à importação em massa de veículos elétricos ou híbridos a preços acessíveis, em muitos casos, provenientes da China.
O setor automobilístico responde por 13 milhões de empregos e 7% do Produto Interno Bruto (PIB) total do bloco europeu. Recentemente, grandes empresas do setor, como o grupo Volkswagen, vem enfrentando graves problemas, com anúncios sucessivos de planos de demissões em massa e de fechamentos de fábricas.
"Um bom dia para os motoristas e para os empregos na Alemanha, na França e na Europa", escreveu o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, em seu perfil no X, em referência às medidas acordadas. "Trata-se de um sinal de investimento para o setor", sublinhou.
"Somos movidos por uma ambição clara: transformar com sucesso nossa indústria automotiva, mantendo nossas metas climáticas e nossa produção na Europa", postou o presidente francês Emmanuel Macron.
Flexibilização das metas para reduzir emissões
Segundo uma reportagem do jornal alemão Handelsblatt publicada nesta quinta-feira, o acordo também poderia levar a uma flexibilização da proibição, anteriormente planejada, de novos carros com motor a combustão na União Europeia.
Merz e Macron concordaram, em princípio, em exigir que as montadoras reduzam as emissões médias dos veículos em 90% a partir de 2035, sem a necessidade de compensar os 10% restantes, informou o jornal.
No final do ano passado, a Comissão Europeia propôs permitir o registro de novos veículos com motor a combustão após 2035, revisando o cronograma de eliminação gradual que havia sido acordado anteriormente pelo bloco.
A Alemanha defendia essa reversão, enquanto a França, anteriormente, se opunha a qualquer flexibilização da proibição.
Adesão de Reino Unido e Noruega
O pacto também restringe a definição de "fabricado na Europa" - proposta originalmente pela Comissão Europeia - aos 27 países-membros da UE, permitindo a adesão de alguns outros países, notadamente o Reino Unido e a Noruega, sob condições específicas.
O acordo entre as duas maiores economias do bloco pode, potencialmente, ajudar a garantir uma maioria entre os Estados-membros da UE em torno da proposta. "Esperamos que essa dinâmica franco-alemã possa levar rapidamente a um acordo com nossos parceiros, em prol de nossos empregos e de nossa indústria", escreveu Macron.
Para se tornar lei, o acordo ainda precisará do apoio de outros Estados-membros da UE e do Parlamento Europeu. A proposta, contudo, possui um peso significativo, dada a relevância econômica dos dois signatários.
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