Déficit orçamentário anual dos EUA chega a quase US$2 trilhões, o maior em 5 anos

16 out 2026 - 16h31
Resumo
O déficit orçamentário dos EUA atingiu US$ 1,99 trilhão no ano fiscal de 2026, o maior em cinco anos e o terceiro da história, representando cerca de 6,2% do PIB. Apesar da arrecadação recorde de US$ 5,40 trilhões, os gastos chegaram a inéditos US$ 7,40 trilhões. O resultado foi impulsionado pelo custo do serviço da dívida pública, que ultrapassou US$ 40 trilhões, além do aumento em despesas com defesa, Previdência, Medicare e restituições de tarifas anuladas pela Suprema Corte.

O déficit orçamentário dos Estados Unidos aumentou ‌em US$217 bilhões, chegando a quase US$2 trilhões no ano fiscal de 2026, impulsionado em parte por restituições de tarifas e gastos recordes para honrar o serviço da dívida do país, que ultrapassa US$40 trilhões, marcando o maior déficit orçamentário em cinco anos, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Departamento do Tesouro.

Os aumentos contínuos ⁠nos gastos com programas de benefícios sociais, como a Previdência Social e o Medicare, ‌e um salto de US$48 bilhões nos gastos com defesa também contribuíram para o aumento.

Publicidade

O déficit de US$1,99 trilhão no ano encerrado em 30 de setembro — ‌o primeiro ano orçamentário completo do segundo mandato ‌do presidente Donald Trump — foi superior ao US$1,78 trilhão do ano fiscal ⁠de 2025. Foi o maior déficit desde o rombo orçamentário de US$2,77 trilhões do ano fiscal de 2021, impulsionado na época pelos gastos com medidas de auxílio devido à pandemia da Covid-19, e é o terceiro maior déficit anual da história.

A receita total do ano fiscal de 2026 atingiu um recorde de US$5,40 trilhões, um aumento ‌de US$169 bilhões, ou 3%, em relação aos US$5,24 trilhões do ano fiscal de ‌2025. Os gastos do ⁠ano fiscal de 2026 ⁠também bateram recorde, chegando a US$7,40 trilhões, um aumento de US$386 bilhões, ou 6%, em ⁠relação aos US$7,01 trilhões do ano fiscal ‌anterior.

Os gastos com o serviço ‌da dívida totalizaram um recorde de US$1,36 trilhão, subindo US$144 bilhões, ou 12% — uma categoria de gastos agora superada apenas pela Previdência Social e pelos gastos combinados do Medicare e do Medicaid. A dívida total dos EUA ultrapassou ⁠a marca de US$40 trilhões há cerca de dois meses.

Outro fator que contribuiu para o aumento do déficit foi uma queda de US$22 bilhões nas receitas líquidas de tarifas, após uma decisão da Suprema Corte neste ano que anulou grande parte das tarifas que Trump havia ‌imposto durante seu primeiro ano no cargo. Isso gerou US$145 bilhões em restituições de tarifas ao longo deste ano, resultando em uma queda de 11% na ⁠receita líquida de tarifas, para cerca de US$173 bilhões.

Publicidade

Os gastos com defesa no ano aumentaram 6%, chegando a US$917 bilhões. Uma autoridade do Tesouro dos EUA afirmou que não estava claro quanto desse aumento poderia ser atribuído à guerra que Trump e Israel iniciaram contra o Irã no início deste ano.

A autoridade do Tesouro disse que o departamento calculou uma relação estimada entre déficit e PIB de 6,2% para o ano fiscal de 2026, mas se recusou a revelar qual estimativa de PIB foi utilizada. Esse número se compara a uma relação real entre déficit e PIB de 5,8% para o ano fiscal de 2025.

Para setembro, último mês do ano fiscal de 2026, o Tesouro registrou um déficit de US$27 bilhões, contra um superávit de US$198 bilhões no ano anterior.

Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
TAGS
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se