A Globo optou por fazer um boletim sobre as ações na Justiça que tentaram impedir o desfile da Acadêmicos de Niterói devido ao enredo sobre a história do presidente Lula.
O repórter Pedro Bassan falou por 3 minutos e 20 segundos — um tempo muito acima do habitual para entradas ao vivo nas transmissões do Carnaval — explicando a alegação de propaganda eleitoral antecipada e a polêmica dos repasses de verba pública à agremiação.
Geralmente, informações a respeito de controvérsias com as escolas são comentadas pelos apresentadores, sem entrar em detalhes, para não interferir no roteiro e no tempo da transmissão.
O bloco jornalístico criado pela Globo pode ser justificado pelo interesse público sobre o caso, amplamente repercutido pela imprensa nos últimos dias, mas rompeu com a expectativa habitual dos telespectadores.
Ao antecipar a discussão judicial antes do desfile, a emissora colocou a controvérsia como moldura da apresentação que viria a seguir. Mesmo que a intenção fosse apenas noticiar, a ordem dos fatos pode influenciar a percepção do público.
Foi uma decisão editorial acertada ou excessiva? Essa discussão provavelmente vai continuar após a Quarta-feira de Cinzas. Não será surpresa se partidos de oposição a Lula incluírem o monólogo de Pedro Bassan na transmissão da Globo em prováveis novas ações.