Em ‘Felicidade’, novela das 18h de 1992, Tuquinha Batista (Maria Ceiça) era porta-bandeira da escola de samba Estácio de Sá.
Em um ensaio às vésperas do desfile na Sapucaí, ela é surpreendida pela presença na quadra do ex-namorado, o ciumento Tide (Maurício Gonçalves).
Ele a vê beijando outro homem. Aproxima-se como se fosse reverenciá-la, mas a atinge com vários golpes de faca.
Tuquinha cai no chão, já morta, para desespero dos pais que assistem à cena trágica, dos amigos e dos demais integrantes da agremiação.
Triste desfecho para uma das personagens mais carismáticas da novela escrita pelo mestre Manoel Carlos.
“Sinto muito orgulho por ter dado vida a uma personagem tão marcante!”, escreveu Maria Ceiça em uma postagem de 2023 no Facebook.
(Assista à cena abaixo.)
Naquela época, as mulheres eram mais vulneráveis à violência de gênero. Poucos meses após a exibição da cena, a atriz Daniella Perez, de 22 anos, foi assassinada, também a facadas, por Guilherme de Pádua, seu colega de elenco em ‘De Corpo e Alma’.
Mãe da artista e autora do folhetim, Gloria Perez liderou uma mobilização nacional que resultou em 1,3 milhão de assinaturas para ampliar a punição a autores de crimes semelhantes.
Assim, foi aprovada a Lei nº 8.930/1994, que incluiu o homicídio qualificado na lista de crimes hediondos. Já a Lei do Feminicídio (nº 13.104) foi sancionada no Brasil apenas em 9 de março de 2015.
Apesar de maior amparo legal, as brasileiras continuam sob risco. Em 2025, houve recorde de feminicídios no país: 1.470 casos, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em média, quatro assassinatos de mulheres por dia.