“Não acho que sou amada”, desabafou Chaiany numa conversa. “O público não me escolheu (na Casa de Vidro). Eu entrei aqui porque resisti (no Quarto Branco).”
Não foi a primeira manifestação explícita de baixa autoestima da goiana no ‘BBB26’.
Ela demonstra carregar dores emocionais e pouca ou nenhuma confiança em suas potencialidades. “O desacreditar de mim é algo que vem da infância”, disse.
Já contou ter sofrido decepção amorosa e chorou ao afirmar que não tem chance de vencer o reality show por não ser boa jogadora. Na verdade, julga não ter mérito para ser campeã.
Algumas circunstâncias também provocam sua insegurança. Na Prova do Líder desta semana, foi a primeira escolhida para deixar o desafio. Saiu revoltada, frustrada. Internamente, o sentimento é de não ser prioridade para ninguém.
Sob a perspectiva psicanalítica, parece viver um conflito interno entre a imagem idealizada que gostaria de transmitir — forte e segura — e a forma como realmente se percebe: frágil e insuficiente, marcada por experiências antigas de menosprezo que se repetem em autossabotagem e na sensação constante de não pertencimento.
Em toda a sua complexidade, Chaiany representa as brasileiras que sofrem com autopercepção negativa, amor-próprio enfraquecido ou sentimento de inferioridade. Não raro, tudo isso junto.
A pesquisa ‘What Women Want’, da Kantar, divulgada em 2022, revelou que 20% das mulheres no país (cerca de 21 milhões) relataram baixa autoestima. Entre os homens, não passa de 10%.
As principais causas dessa autovalorização reduzida são a falta de autonomia financeira e questões ligadas ao corpo e à sexualidade. Parece até uma descrição de Chaiany, que entrou desempregada no programa e verbalizou o desejo de fazer uma cirurgia íntima, pois acha seu órgão sexual “feio”.
Por concentrar tantas camadas de vulnerabilidade emocional, ela gera a identificação de uma parcela numerosa do público.
Não é à toa que sua torcida cresce a cada dia e faz da subestimada competidora, até agora, a única capaz de desafiar o favoritismo daquela que simboliza a mulher empoderada, Ana Paula Renault.