BBB26 vira arena política e reflete a polarização ideológica em ano de eleição presidencial

Embates entre progressistas e conservadores no reality show empolgam a internet igualmente dividida

9 fev 2026 - 09h09
(atualizado às 09h09)

O ‘BBB26’ ultrapassou o território do entretenimento para assumir contornos de arena simbólica da disputa política brasileira.

Em um ano de eleição presidencial, o reality show condensa, de maneira dramatizada, as tensões ideológicas que dominam o debate público nacional.

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O confinamento deixou de ser apenas um experimento social sobre convivência e estratégia para se transformar em espelho da polarização, dividindo familiares, amigos, colegas de trabalho e até a classe artística.

De um lado do ‘BBB26’ estão participantes declaradamente progressistas, como Ana Paula Renault, Juliano Floss e Babu, defensores especialmente das pautas identitárias. 

Aos olhos dos apoiadores, eles são os heróis, com vozes necessárias para amplificar discussões sobre diversidade, inclusão e justiça social em uma atração de enorme alcance popular. 

Para os críticos, não passam de oportunistas militando no lugar errado, levando para a frente das câmeras uma agenda política que desvia o foco do jogo.

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No polo oposto, competidores associados ao pensamento de direita, a exemplo de Sarah Andrade, Jonas Sulzbach e Alberto Cowboy, fazem o contraponto.

Alguns tiveram falas problemáticas interpretadas como homofobia e transfobia, o que provocou reações intensas nas redes sociais e dentro da própria casa. 

Quem não gosta deles os rotula de vilões da edição, representantes de valores considerados retrógrados ou excludentes. 

Já seus defensores os enxergam como figuras corajosas por não recuarem em um ambiente majoritariamente à esquerda, sob o risco de cancelamento.

Para o público majoritário do 'BBB26', Sarah Andrade representa a direita no espectro político enquanto Ana Paula Renault encarna a esquerda
Para o público majoritário do 'BBB26', Sarah Andrade representa a direita no espectro político enquanto Ana Paula Renault encarna a esquerda
Foto: Fotomontagem: Sala de TV (Reproduções/TV Globo)

Essa dualidade de percepções evidencia como o público já não separa personalidades midiáticas e posicionamento político. Saber em quem a pessoa vota tornou-se informação imprescindível para decidir se ela merece aplausos ou vaias.

Mais do que simples disputa pelo prêmio de R$ 5,4 milhões, este ‘Big Brother Brasil’ se baseia em discussões de temas presentes no noticiário eleitoral, como linguagem inclusiva, liberdade de expressão, direitos de minorias, preservação de valores tradicionais etc.

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O programa passa a funcionar como uma espécie de laboratório social monitorado 24 horas, com os telespectadores projetando suas próprias convicções e animosidades.

Essa ressignificação ateia mais fogo na temperatura do ambiente virtual, igualmente dividido por lados opostos no espectro político, o que gera alto engajamento para a emissora. 

A guerra eleitoral passou a influenciar a atuação dos fandoms dos competidores e até o resultado das votações dos Paredões do reality show mais amado e odiado do país.

O ‘BBB’, assim, amplia sua presença para além da exibição tradicional e se consolida como fenômeno transmídia: simultaneamente programa de TV, espetáculo digital e fórum político.

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Fica a dúvida: vencerá o melhor ou quem representa os eleitores do candidato presidencial com mais intenções de votos?

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