Foliões LGBT atravessam o oceano e gastam até R$ 20 mil para carnaval de Salvador: 'Me sinto seguro'

Para cumprir a agenda carnavalesca atrás das várias divas do axé, é preciso disposição física e financeira

16 fev 2026 - 06h58
Daniela Mecury, bissexual e ícone do público LGBTQIA+, se enrolou em uma bandeira do arco-íris em protesto na Barra-Ondina, neste domingo, 15
Daniela Mecury, bissexual e ícone do público LGBTQIA+, se enrolou em uma bandeira do arco-íris em protesto na Barra-Ondina, neste domingo, 15
Foto: Reprodução

No carnaval de Salvador, Daniela Mercury está para Lady Gaga assim como Ivete Sangalo está para Beyonce. São as divas do axé que carregam um público LGBTQIA+ fiel, vindo de todos os cantos, na maior festa de rua do mundo. E para estar em Salvador nessa época do ano e curtir todos os blocos por onde as cantoras do gênero se apresentam é preciso organização e disposição financeira.

O australiano David Priest, de 33 anos, estima ter gasto em torno de R$ 20 mil para curtir o carnaval baiano. Sua conta, porém, leva em consideração passagem aérea, hospedagem, além dos valores dos blocos. Da Austrália para Salvador, há um oceano de distância e quase um dia de viagem.

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"Tenho um amigo brasileiro que mora na Austrália. Ele está aqui comigo e falou que a gente deveria ir para o carnaval de Salvador e achei incrível, estou amando muito", diz. David conta que se surpreendeu ao ver tantos homens gays como ele se expressando livremente nas ruas. "É bem mais gay do que eu pensava. Me sinto seguro."

Levando em conta a longa viagem, a estimativa de custos financeiros que David fez não parece ser tão alta. Os cearenses Rodrigo Vieira e Vanderson Martins, de 33, avaliam gastarem em torno de R$ 15 mil pelos dias de folia.

"Só de blocos é uns R$ 5 mil", afirma Rodrigo, que prefere não entregar a idade mas revela já estar no seu décimo sétimo carnaval em Salvador. É a sua viagem do ano, ele argumenta, e, neste, vai aproveitar as principais atrações LGBTQIA+: Ivete, Daniela, Claudia Leitte e Alinne Rosa. "O carnaval é mesmo o momento onde a gente pode ser feliz da forma que é."

Vanderson e Rodrigo são de Fortaleza e curtem o carnaval de Salvador há 12 e 17 anos, respectivamente
Foto: Maria Clara Andrade/Terra

Para cumprir a agenda de compromissos carnavalescos, Rodrigo e Vanderson, amigos e colegas de trabalho, compram os abadás para os blocos assim que as vendas se iniciam. As hospedagens também são reservadas com antecedência, ainda por volta de outubro.

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Na breve circulada pela concentração do bloco Crocodilo, onde as entrevistas foram feitas, no circuito Barra-Ondina, todos os abordados que quiseram conversar com o Terra não eram de Salvador. Eduardo Gonzalez, de 28 anos, é venezuelano e mora no Panamá. Ele veio para o carnaval acompanhado do marido.

"Para ser sincero, eu não conhecia muito. Mas vim ontem e eu entendi que a gente aqui é muito inclusiva e gostei muito", conta. Foi seu marido, Alberto Gonzalez, de 40 anos, quem sugeriu a viagem.

Alberto curtiu o seu primeiro carnaval de Salvador em 2020 e retornou agora, seis anos depois. Dessa vez, ele conta que já tem seus artistas preferidos: Daniela Mercury e Alok, que saiu alguns trios após a rainha.

Ciente do público que a segue e com longo histórico de posicionamento político, Daniela ergueu e se enrolou em uma grande bandeira LGBTQIA+ logo no início do trajeto do trio. Ao discursar, a cantora explicou que estava protestando contra uma decisão do governo norte-americano de Donald Trump, de retirar a bandeira de arco-íris do monumento Stonewall, em Nova York.

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*A cobertura de carnaval do Terra tem apoio de Bluefit, Gol, Magalu, Mercado Pago, OMO e Popeye's #TerraNoCarnaval

Fonte: Portal Terra
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