Falha em chatbot do Instagram destaca riscos de segurança da automação

3 jun 2026 - 15h51

Uma invasão aos sistemas do Instagram que levou ‌hackers a convencer o chatbot de suporte da Meta a conceder acesso a contas de personalidades importantes expôs uma falha crítica no centro do esforço da empresa para automatizar tarefas.

A violação permitiu que os hackers se apoderassem de contas, incluindo a página inativa @obamawhitehouse, a página da varejista de produtos de beleza Sephora e a conta de um funcionário sênior da Força Espacial dos Estados Unidos.

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O chatbot foi persuadido a redefinir as credenciais das contas sem verificar as identidades de forma independente, transformando efetivamente ⁠uma ferramenta de segurança de alta confiança em um grande ponto fraco, disseram especialistas em segurança digital à Reuters.

O episódio ressaltou uma ‌vulnerabilidade mais ampla, já que as empresas de tecnologia dão aos sistemas de IA uma autoridade abrangente sobre tarefas como a recuperação de contas, mesmo que esses sistemas permaneçam suscetíveis à manipulação por meio do que os especialistas disseram ser ‌uma classe de ataque conhecida como "injeção de prompt".

Para a Meta, o tropeço ocorre ‌em um momento delicado. A gigante das mídias sociais dobrou a aposta em IA, demitindo milhares de funcionários e prometendo ⁠até US$145 bilhões em investimento em infraestrutura de IA. Esse incidente pode aumentar as preocupações de que a empresa acelerou a automação de funções críticas antes que a tecnologia estivesse pronta para lidar com elas com segurança.

A Meta disse na segunda-feira que o problema foi resolvido e que está protegendo as contas afetadas, mas o incidente abalou os investidores já preocupados com os altos gastos da empresa com IA, fazendo com que suas ações caíssem mais de 5%.

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A empresa se recusou a compartilhar mais ‌detalhes. A Reuters não conseguiu identificar ou contatar imediatamente os hackers.

Jane Wong, pesquisadora de segurança e ex-funcionária da Meta, cujos nomes ‌de usuária do Instagram foram comprometidos, disse ⁠à Reuters que levou cerca de ⁠5 a 10 minutos para restabelecer suas contas. Ela disse em uma publicação no X que sua senha foi alterada sem seu conhecimento ⁠e que recebeu várias solicitações de tentativa de redefinição.

"Essa é uma falha ‌fundamental da arquitetura. O modelo recebeu ações ‌privilegiadas sem controles de acesso privilegiados", disse Brian Westnedge, vice-presidente de alianças e parcerias da empresa de segurança eletrônica Red Sift.

"A Meta tem enfrentado críticas constantes sobre falta de suporte humano, fez grandes cortes na força de trabalho e está gastando bilhões em IA. Esse incidente está bem no meio de todos os três."

HACKERS, IA E SEGURANÇA

Hackers não ⁠identificados realizaram o ataque no fim de semana, bloqueando o acesso dos usuários às suas contas e gerando uma onda de reclamações em plataformas como X e Reddit.

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A empresa lançou o chatbot de suporte em março para resolver um problema de longa data de não ter suporte humano para usuários que perdem acesso a suas contas ou enfrentam penalidades errôneas.

Uma investigação da Reuters em agosto constatou que a Meta não tinha barreiras para ‌impedir que seus chatbots de IA tivessem conversas "sensuais" com crianças, oferecessem informações médicas incorretas ou afirmassem que eram pessoas reais.

Desde então, a empresa anunciou que oferecerá mais controle aos pais de adolescentes para evitar que usuários mais jovens acessem conteúdo ⁠inadequado em suas plataformas.

Analistas e especialistas afirmaram que o problema não se limita à Meta, alertando que é provável que haja mais explorações desse tipo à medida que os hackers transformam a IA em arma.

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"A preocupação não é necessariamente a IA em si, mas se existem salvaguardas adequadas em torno do que a IA está autorizada a fazer", disse Cliff Steinhauer, diretor de segurança da informação e engajamento da National Cybersecurity Alliance.

Desde que o lançamento do ChatGPT no final de 2022 estimulou uma corrida de chatbots de IA, hackers têm explorado ataques contra eles. Em um desses casos, o invasor enganou o bot de uma concessionária Chevrolet nos Estados Unidos para que vendesse um utilitário esportivo Tahoe por US$1.

"Não se trata de um problema específico da Meta. As pessoas estão usando esses agentes de IA para fazer muitas coisas. O que estamos vendo, na verdade, são problemas inesperados que estão surgindo com o uso da IA", disse Engin Kirda, professor do Departamento de Engenharia Elétrica e de Computação da Northeastern University.

"No passado, as pessoas eram alvo de golpes. Agora, estamos vendo agentes sendo alvo de golpes", disse ele, referindo-se a agentes de IA ou assistentes digitais autônomos habilitados a realizar tarefas complexas.

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